Comidinhas

Sete criadores de bolos da capital estão seduzindo os belo-horizontinos com suas doces criações

Há quem tenha deixado o diploma de lado para se dedicar à arte feita com farinha de trigo, ovos e açúcar

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Carlos Hauck/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Júlia Martins, especialista em naked cake, e Gui Poulain, do programa O Chef e a Chata: juntos, eles tem quase 30 000 seguidores no Instagram

Nem pense em fazer uma cobertura de brigadeiro com um achocolatado qualquer. Esqueça o granulado. Bolo que se preze é recheado com ganache de chocolate belga. Para a massa, as favas de baunilha vêm diretamente de Madagáscar. São do velho mundo os pistaches, nozes e amêndoas usados nas receitas. A flor de sal, o último grito nas cozinhas descoladas, é importada de Guèrande, a mais famosa salina francesa. A gourmetização chegou às confeitarias. Bolo agora tem grife. E ser boleiro é totalmente cool. Na TV, os especialistas nesse tipo de receita fazem o maior sucesso. Buddy Velastro, apresentador do programa americano Cake Boss, atração do canal pago TLC, causou estardalhaço durante sua visita ao país, em julho do ano passado: o dono da Carlo's Bakery atraiu mais de 60 000 pessoas a um shopping de São Paulo. "As pessoas estão buscando produtos de qualidade, preparados com ingredientes diferenciados", diz Gui Poulain, que há quatro anos guardou seu diploma de designer gráfico para se dedicar à fabricação de bolos. Ele é apresentador do programa O Chef e a Chata, na internet.

Um bom boleiro chega a faturar 15 000 reais por mês com suas invenções à base de ovos, farinha de trigo e açúcar. A arquiteta Tereza Lima, que largou a profissão em 2010 para abrir a Cupcake me, não se arrepende. "Ganho pelo menos três vezes mais e nunca fico sem trabalho." Desde abril de 2014, quando fez o primeiro naked cake para um café da manhã com a blogueira Thássia Naves, a chef Júlia Martins já preparou mais de 300. "As pessoas criam eventos para encomendar um bolo", afirma. Basta dar uma olhadinha nas redes sociais dos sete cozinheiros retratados nesta e nas próximas páginas para entender o porquê do sucesso. É de comer com os olhos. Difícil é escolher entre o de mascarpone com figo, o de paçoca, o de churros e o de chocolate.

Adeus, computação

Em 1999, quando se formou em ciências da computação, Isabela Franco, de 37 anos, não conseguia emprego. "Eu ficava assistindo a programas de culinária na TV e resolvi arriscar uma receita", lembra. O que começou como um passatempo virou um rentável negócio, que emprega dez pessoas e fatura cerca de 60 000 reais por mês. Na cozinha de 200 metros quadrados no bairro Ouro Preto, a doceira atende mais de trinta clientes por semana - alguns famosos, como os jogadores Jô, do Atlético, e Willian, do Cruzeiro. Em seu menu aparecem dez tipos de bolo. Entre os mais vendidos está o de creme de nozes com chocolate decorado com pasta americana (R$ 138,00, vinte fatias). "Os pedidos vão de aniversário infantil a casamento", diz. www.isabelafranco.com.br. ☎ 2535-6760.

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Lembra da Belo?

Ela é a "mãe" do famoso bolo de chocolate da extinta Belo Comidaria, onde trabalhou. Em parceria com o chef Henrique Gilberto, Luana Drumond, de 25 anos, criou a receita que leva camadas alternadas de massa de chocolate 70% cacau, molhada com Ovomaltine e recheada com ganache de chocolate 60% cacau mais ganache de caramelo belga. "Não adianta o bolo ser lindo e não ter sabor de nada", diz. "Os meus são, principalmente, gostosos." O "bolo da Belo" pode ser encomendado no ateliê Doce que Seja Doce, que ela abriu no Padre Eustáquio. A fatia, com nada menos que 500 gramas, custa R$ 25,00. O bolo inteiro, com 6,5 quilos, sai a 340 reais. www.docequesejadoce.com.br. ☎ 3082-7295.

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Sabor da infância

O forte da Cupcake me, da arquiteta Tereza Lima, de 36 anos, são os bolos com sabores que remetem à infância, como os de biscoito Oreo e de leite Ninho com amêndoas. Um dos mais pedidos é o de paçoca, preparado com massa de baunilha e amendoim triturado e recheado de brigadeiro de Paçoquita cremosa, com preços entre 105 reais (para dez pessoas) e 250 reais (para 35 pessoas). Ela vende cerca de quarenta bolos e 1 500 cupcakes por semana. "As encomendas agora não são só para festas", conta. "Os clientes, às vezes, querem um bolo especial para um lanche em família." www.cupcakeme.com.br. ☎ 8711-6415.

Sem cópias

O naked cake, um bolo sem cobertura, é a marca registrada de Júlia Martins, de 33 anos. Entre os mais vendidos se encontra o de massa de baunilha, recheado com chocolate branco e calda de frutas vermelhas. "Estou sempre inventando", diz a chef, que tem mais de 8 000 seguidores no Instagram e, além de aceitar encomendas, dá cursos. Mesmo nas receitas da moda, como o bolo de churros, ela imprime seu toque pessoal: os doces aparecem emaranhados no alto da peça, e não na lateral, enfileirados. Ele custa a partir de 40 reais. "Detesto copiar os outros", afirma. Sua última criação é um naked com chocolates da Kopenhagen, cujo valor varia entre 350 reais (para dez pessoas) e 550 reais (para trinta pessoas). www.espacojuliamartins.com.br.

☎ 9555-2121.

Modelo retrô

A administradora Carolina Fernandes, de 43 anos, descobriu seu talento para a confeitaria quando começou a fazer bolos para os aniversários do filho. Em 2010, resolveu investir em um curso de cake designer em Buenos Aires - desde então, não parou mais de estudar. Dois anos depois, abriu a Xocolatl. A doceira gosta de oferecer aos clientes o vintage cake. "É uma releitura dos bolos cobertos por glacê", explica. Ele leva um chantili cremoso que pode ser feito branco ou colorido. O sabor mais pedido é a combinação de massa de amêndoa com creme de framboesa (de 110 reais, para dez pessoas, a 440 reais, para quarenta). Carolina chega a fazer quatro dessas gostosuras por dia. www.xocolatlcarolinafernandes.com.br. ☎ 9466-5760.

Sucesso na web

Suas receitas são criativas. Seus bolos, deliciosos. E seus vídeos na internet, cheios de bossa. Gui Poulain, de 29 anos, é o retrato do chef pâtissier moderno. Designer gráfico, ele largou tudo para estudar gastronomia em Buenos Aires. Depois, passou um ano em Paris, onde se especializou em confeitaria. Poulain recebe, em média, dez encomendas de bolo por semana. Seu cardápio muda de dois em dois meses: os sabores atuais são de chocolate com caramelo e flor de sal, de nozes-pecã com coco e de mascarpone com figo, que custam de 120 reais (para dez pessoas) a 220 reais (para vinte). O blog que mantém com receitas e dicas registra mais de 250 000 visitantes por mês, um sucesso que lhe rendeu o convite para estrelar, ao lado da blogueira Lu Ferreira, o programa para a web O Chef e a Chata. www.moldandoafeto.com.

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A autodidata

Depois de trabalhar como relações-públicas nas pâtisseries Confiserie du Chocolat e Leclanté, Ana Quick, de 30 anos, resolveu abrir uma doceria para chamar de sua. Há quase dois anos ela vem se desdobrando para atender clientes exigentes como a médica Márcia Salvador, herdeira do hospital Mater Dei, e o premiado tenista Bruno Soares. Com o aumento dos pedidos, Ana levou sua batedeira para um apartamento vazio de seus pais, no bairro Sagrada Família. E lá que ela prepara seu carro-chefe, o bolo de churros (de 120 reais, para dez pessoas, a 195 reais, para 35 pessoas), e também o naked cake defrutas vermelhas (de 210 reais a 280 reais). "Sou doceira por vocação", afirma. ☎ 9873-1112.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE