Esporte

Skate atrai praticantes de idades e estilos diversos em Belo Horizonte

Capital conta com pelo menos nove complexos de pistas instalados em parques públicos

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O estudante Marcos Diniz, em seu longboard: a modalidade combina com a topografia acidentada de BH. O engenheiro Marco Tulio Morais: "As pistas deveriam estar mais distribuídas". A wakeboarder Teca Lobato, uma das desbravadoras no long: o estilo atrai as meninas

Crianças de 5 anos dividem espaço com cinquentões. Adolescentes de visual largado desfilam ao lado de garotas vestidas segundo as mais recentes tendências da moda. Pranchas de última geração se misturam a equipamentos vintage. Na atual cena do skate em BH, a palavra de ordem é liberdade. O esporte, que já foi visto como atividade de jovens desocupados, mudou de cara e atrai pessoas de todas as idades, estilos, gêneros e classes sociais. Segundo a Confederação Brasileira de Skate, a capital mineira é hoje a quarta cidade do Brasil em número de skatistas, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou, em 2010, que Belo Horizonte tinha 53 838 praticantes, número 20% maior que o do levantamento anterior, de 2006.

A febre do momento é o longboard, um tipo de skate com a prancha (ou shape, como preferem os entusiastas) mais alongada, que não costuma ser usada nas pistas. "Antigamente, dois em cada dez skates que vendíamos eram long. Hoje são cinco em cada dez", afirma o gerente da escola e loja Blunt Skateblunt, Gustavo Dias, o Bazon. Segundo o estudante Marcos Diniz, a topografia de Belo Horizonte, tão ingrata para outras modalidades, é ideal para o long. "Ele é praticado em descidas, e, como aqui tem ladeira para todo lado, há bons lugares para andar", explica Diniz, que descobriu o estilo durante um intercâmbio nos Estados Unidos. Os pontos preferidos para se aventurar são a Avenida Agulhas Negras, no Mangabeiras, e as ruas pouco movimentadas do Vale do Sereno, em Nova Lima. A popularização do modelo tem sido responsável pela entrada de muitas meninas no universo do skate. Para elas, o shape maior e mais estável facilita o aprendizado. "Ele não é tão intimidador quanto o skate comum e a gente pode praticar sem se arriscar tanto", afirma Teca Lobato, atleta de wakeboard (modalidade esportiva em que, puxado por uma lancha, se desliza sobre a água em cima de uma prancha em alta velocidade). Adepta de longboard há treze anos, ela confirma que atualmente há uma explosão de garotas nesse estilo. "Antes eu chegava à ladeira e conhecia todo mundo, hoje há muita gente nova", conta.

Apesar de o long ser a bola da vez, o skate "comum" ainda predomina nas pistas e ruas da capital, e também vem crescendo em alta velocidade. Na Blunt, a única escola com pista indoor de BH, há fila de espera por horários. Lá é possível encontrar crianças ávidas por arriscar suas primeiras manobras. Lucas Chagas, de 9 anos, começou a aprender há três anos e já se movimenta com desenvoltura. Para o garoto, as segundas e quartas-feiras, quando faz aulas de skate, são os dias mais esperados da semana. "Fico tão animado que já vou para a escola pensando nas manobras que vou tentar", afirma.

Outra novidade é a volta dos veteranos à ativa. Pioneiros do skate em Belo Horizonte, que começaram a andar na década de 70, tornaram a se reunir nas pistas. Um dos integrantes desse grupo é o músico John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu, que tinha parado de andar na década de 90, mas há cerca de dois anos retomou a atividade. "Nós temos um jeito de andar que sofreria preconceito alguns anos atrás, mas hoje é considerado vintage pelos mais jovens", afirma o guitarrista, que chegou à música por meio do skate. "Na primeira vez que vi um clipe do Devo com skatistas da Califórnia, aquilo quase me matou", recorda. O aumento do número de esportistas, aliado ao esforço de vários praticantes, tem feito o poder público se mobilizar. Atualmente, o bowl - pista em formato de tigela - do Parque Julien Rien, no bairro Anchieta, está sendo reformado, e tem previsão de ser reaberto até o fim do primeiro semestre. Além disso, a pista do Parque das Mangabeiras será expandida, com a construção de uma rampa half-pipe, em formato de U, e o Parque Lagoa do Nado, na Pampulha, também ganhará um espaço para os skatistas, assim como a área embaixo do Viaduto Santa Tereza. Há quem ainda ache pouco. "É preciso investir em pistas mais distribuídas pelos bairros", sugere o engenheiro civil Marco Tulio Morais, que se mantém firme e forte nas pranchas aos 50 anos. Com o sucesso que as rodinhas têm feito aqui, não vão faltar frequentadores.

Túlio Moraes
(Foto: Redação VejaBH)

O músico John Ulhoa, do Pato Fu: retorno à pista por intimação dos amigos

Onde praticar

Parque Vila Pinho

Avenida Perimetral, 800, Castanheira II, Vale do Jatobá.

Parque Julien Rien

Avenida Francisco Deslandes, s/nº, Anchieta.

Parque das Mangabeiras

Avenida José do Patrocínio Pontes, 580, Mangabeiras.

Parque Ismael de Oliveira Fábregas

Rua Horta Barbosa, 1014, Nova Floresta.

Parque Professor Guilherme Lage

Rua Angola, 665, São Paulo.

Parque Maria do Socorro Moreira

Rua Bom Retiro, 232, Padre Eustáquio.

Parque Vencesli Firmino da Silva

Rua dos Agrônomos, 285, Alípio de Melo.

Parque Nossa Senhora da Piedade

Rua Rubens de Souza Pimentel, 750, Aarão Reis.

Parque do Bairro Jardim Leblon

Rua Salto da Divisa, 99, Leblon.

Escola com pista indoor

Blunt Skateshop

Rua Montes Claros, 189, Sion, ☎ 3284-2161.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE