Saúde

Surto de dengue em BH provoca superlotação nos hospitais

Espera por atendimento para a doença que vitimou 13 000 moradores da capital chegou a seis horas

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A estudante Camila Ribeiro e o aviso pregado no Lifecenter, na Serra (no detalhe): "Havia tanta gente que quase desisti"

O aviso pregado na porta é curto e grosso. Para passar alguns minutos no consultório do clínico geral é preciso esperar até cinco horas. Essa foi a cena encontrada por quem procurou atendimento médico no Hospital Lifecenter, na Serra, nas últimas semanas, em dias e horários de pico. A situação não é diferente em outros hospitais particulares de Belo Horizonte. O surto de dengue, que até a última quinta-feira havia matado duas pessoas e vitimado mais de 13 000 moradores da capital, vem provocando uma superlotação nos serviços de pronto atendimento públicos e privados, com longas esperas. Apenas na semana passada, 3 141 ocorrências foram confirmadas em BH. Desde janeiro, 51 154 casos suspeitos foram no­tificados. O número médio de pa­cientes nos prontos-socorros da cidade dobrou, afetando não somente quem está com a suspeita da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mas também qualquer um que precise de atendimento imediato. Com dores no abdômen, a estudante Camila Ribeiro teve de esperar quase quatro horas para ver um médico na terça (23), no Lifecenter. Só para conseguir preencher a ficha no guichê aguardou duas horas. "Quando cheguei havia tanta gente que quase desisti", afirma.

Com a explosão da procura pelos hospitais, as equipes de médicos e enfermeiros no pronto atendimento foram ampliadas. Mesmo assim, não estão dando conta. O Felício Rocho, no Barro Preto, chegou a recusar pacientes nos momentos mais críticos. "Os hospitais estão trabalhando com quase 100% de ocupação", diz o diretor técnico da instituição, Breno Figueiredo Gomes. "A consequência obvia é a demora no atendimento." No Mater Dei, houve um aumento de sete para doze clínicos gerais no plantão do pronto-socorro. "Também suspendemos o atendimento de especialidades que não são tão urgentes e remarcamos alguns retornos", informa o diretor técnico, Sandro Rodrigues Chaves. Se­gundo ele, as medidas contribuíram para que a média de espera de quatro horas diminuísse nos últimos dias.

Diretores de hospitais avaliam que a dengue só fez deixar ainda mais evidente a saturação da rede clínica de Belo Horizonte. "O surto apenas escancarou um problema de falta de infraestrutura que já era grave", afirma o presidente da operadora Unimed, Helton Freitas. "Estamos construindo mais unidades, mas ainda não é suficiente." Freitas recomenda que os pacientes tentem agendar uma consulta antes de decidir enfrentar a fila do pronto atendimento. Mas, como mais de 55% dos belo-horizontinos têm plano de saúde, conseguir um horário nos consultórios médicos pode ser um desafio maior do que encarar as horas de espera num pronto-socorro.

Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

A servidora pública Janaína Mangeroti tentou marcar uma consulta quando suspeitou estar com dengue, mas só conseguiu um horário com o médico quinze dias depois. O jeito foi enfrentar cinco horas na fila do Centro de Atendimento da Unimed do Barro Preto, na terça (16). "Enviei uma reclamação pelo Twitter deles", conta. Recorrer às redes sociais, porém, só serviu como desabafo. "Ninguém resolveu nada."

A boa notícia é que, com o fim do período chuvoso, os casos de dengue deverão diminuir nas próximas semanas. "Ainda há um número grande de suspeitos, mas sabemos, pela série histórica, que há um decréscimo de ocorrências a partir do fim de abril", explica Maria Tereza da Costa Oliveira, gerente de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde. O alívio, no entanto, não deverá durar muito. Com a chegada do inverno começa um novo ciclo de doenças. São viroses, gripes e outros males respiratórios que também costumam sobrecarregar a rede de saúde.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE