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Tenista mineiro Bruno Soares tenta conquistar mais um título no US Open

Quarto colocado no ranking mundial de duplas, ele voltará às quadras para tentar mais uma conquista em Nova York no dia 26

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Matthew Stockman
(Foto: Redação VejaBH)

Com o parceiro, Alexander Peya (à dir.), em Montreal, no domingo (11): juntos, eles venceram seis competições

Sem alarde, como um típico mineiro, Bruno Soares vem galgando posições na lista dos maiores tenistas brasileiros de todos os tempos. No último domingo (11), ele alcançou a quarta colocação no ranking mundial de duplas da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), após vencer o torneio Masters 1 000 de Montreal, no Canadá, contra os britânicos Andy Murray e Colin Fleming. Em importância, a conquista só fica atrás do US Open, que Soares venceu em 2012, em Nova York, na categoria de duplas mistas, jogando com a russa Ekaterina Makarova. "Passou o filme da minha história na minha cabeça, aquela coisa bem clichê", diz ele, sobre a premiação. O tenista belo-horizontino foi o quinto brasileiro a vencer um Grand Slam, como é conhecido o grupo das quatro competições mais importantes do tênis (Wimbledon, Roland Garros, Australian Open e US Open). A partir do dia 26, voltará às quadras para tentar mais uma conquista em Nova York, nas categorias de duplas mista e masculina. "Hoje, sinto que tenho chance de brigar por um título em toda competição que entro", afirma.

Com apenas 5 anos, Soares começou a jogar tênis em um acampamento no Iraque, onde seu pai trabalhava como funcionário da empreiteira Mendes Júnior. Mais tarde, depois de ter morado no Rio de Janeiro e em Fortaleza, mudou-se com a família para BH e, aos 14 anos, passou a treinar no Minas Tênis Clube. Em 2001, abriu mão de cursar a faculdade para profissionalizar-se. Apesar do apoio dos pais, o início não foi fácil. "Tive prejuízo por cinco anos e fiquei dois no zero a zero", conta. Em 2005, uma lesão no joelho o tirou das quadras por dois anos. Ao voltar a jogar, em 2007, ele tomou a difícil decisão de deixar a carreira individual para seguir nas disputas em dupla. "No jogo simples, a visibilidade e as premiações são maiores, mas chega uma hora em que é preciso focar naquilo em que você é bom", explica. Em apenas um ano, colheu os primeiros resultados da mudança. Saiu da posição 193 do ranking mundial para o 23º lugar. Foi quando começou a ter retorno financeiro.

Os títulos conquistados neste ano não deixam dúvida sobre o acerto de sua decisão. Desde 2012, Soares joga com o austríaco Alexander Peya. "Escolher uma dupla é como iniciar um namoro", compara ele, que passa de quinze a dezoito horas ao lado do parceiro durante as competições. "Há tenistas que você admira mas sabe que não vai se dar bem com eles", pondera. Com Peya não tem faltado sintonia. Desde que começaram a jogar juntos, os dois já venceram seis competições e são a segunda melhor dupla da temporada, perdendo apenas para os gêmeos americanos Bob e Mike Bryan, líderes disparados do ranking.

Fora dos períodos de torneio, cada um faz seu treino separadamente. Peya fica em Viena e Soares em Belo Horizonte, sob o comando do treinador Roberto Morais. Mas ele não chega a passar muito tempo por aqui. Os intervalos entre uma competição e outra não somam mais de dois meses por ano. Quando está na cidade, aproveita para curtir com a mulher, Bruna Alvim, a casa em que moram no bairro Santa Lúcia. Com os amigos, seu maior passatempo é jogar pôquer. Fã de surf, skate e snowboard, evita praticar as modalidades para não correr o risco de se lesionar e ter de se afastar das quadras novamente. Seu plano é continuar no tênis por mais sete anos e disputar duas Olimpíadas, em 2016 e 2020. "Procuro me preparar e deixar opções abertas para o pós-carreira", diz. "Mas agora não dá para ficar pirando nisso." Por enquanto, só quer pensar no próximo título em disputa.

Bate-bola

Nome: Bruno Soares

Idade: 31 anos

Ídolo no tênis: Gustavo Kuerten

Maior tenista de todos os tempos: Roger Federer

Cidade favorita para jogar: Paris

Cidade favorita para descansar: Miami

Título que mais deseja ganhar: Wimbledon

Partida mais difícil que jogou: contra os irmãos Bryan na Copa Davis, em fevereiro deste ano (com Marcelo Melo, venceu por 3 sets a 2)

Restaurante favorito em BH: Udon

Bandas favoritas: Skank, U2 e Dire Straits

Filme preferido: Um Sonho de Liberdade, do americano Frank Darabont

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE