Futebol

Torcedores sofrem na reinauguração do Mineirão durante clássico entre Cruzeiro e Atlético

Por problemas, governo multa a concessionária Minas Arena em 1 milhão de reais. Confira o que não funcionou e o que deu certo na partida

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Os jogadores de Atlético e Cruzeiro na reabertura do estádio: gols contra dentro e fora de campo

Aos 22 minutos do primeiro tempo, o volante Leandro Guerreiro, do Cruzeiro, cruzou a bola na área do goleiro Victor, do Atlético. Ela ficou entre o celeste Anselmo Ramon e o alvinegro Marcos Rocha, que a mandou, de cabeça, para a rede do próprio time. O primeiro gol no novo Mineirão foi contra. E não só no gramado. Nas arquibancadas e no entorno do estádio também foi assim. A recepção aos torcedores no clássico da estreia, no último domingo (3), foi tão desastrada quanto a cabeçada que fez o Galo marcar um gol a favor da Raposa em uma partida histórica. As mais de 52 000 pessoas que acompanharam a vitória do Cruzeiro por 2 a 1 sofreram com a desorganização. Para começar, os portões só foram abertos por volta das 14h30, meia hora depois do previsto. Sem poderem entrar no estacionamento, os motoristas ficaram parados nas ruas próximas, provocando um grande congestionamento. Lá dentro, não foi diferente. Quem esperava reencontrar o tradicional tropeirão ficou na vontade, porque poucos bares abriram. Os bebedouros não conseguiram atender tanta gente com sede. Antes do fim da partida, a água acabou. Responsável pela administração do Gigante da Pampulha pelos próximos 25 anos, o consórcio Minas Arena foi multado em 1 milhão de reais pelo governo estadual, uma pena prevista em contrato.

O governador Antônio Anastasia cobrou medidas imediatas para corrigir as falhas. "Vamos acompanhar de modo severo a gestão do estádio", declarou, no dia seguinte. À Minas Arena não coube outra atitude senão fazer o mea-culpa. "Houve um erro de avaliação e temos de pedir desculpas ao torcedor", reconheceu o presidente do consórcio, Ricardo Barra. A empresa abriu um canal de ouvidoria (☎ 3499-4333) para receber reclamações. Há pelo menos seis questões, segundo os torcedores e a Secretaria de Estado Ex­­traordinária da Copa, que precisam ser resolvidas rapidamente. Vamos a elas:

Venda de ingressos

Nas bilheterias e na internet, o que se viu foi muita confusão na comercialização. Houve casos de duas entradas serem vendidas para o mesmo assento. O sistema precisa ser aperfeiçoado para tornar a compra mais rápida e mais segura.

Estacionamento

As 2 500 vagas dentro do estádio foram poucas para tantos torcedores e acabaram preenchidas rapidamente depois da abertura dos portões. Sem poderem parar no entorno, os motoristas rodaram muito até conseguir estacionar, o que provocou longos congestionamentos na região. A proibição de estacionar nas ruas mais próximas deve ser revista para os próximos jogos, como reconheceu o governador Anastasia.

Delimitação dos setores

O torcedor compra o ingresso para um lugar marcado em um determinado setor. Dentro do estádio, porém, a circulação é liberada. Por falta de informação, ou má-fé, muitos torcedores se sentaram no assento errado, ignorando a marcação.

Orientação dos torcedores

Os seguranças e atendentes da Minas Arena pareciam mais desinformados que os próprios torcedores. Quem precisou deles para chegar ao seu lugar ficou sem saber para onde ir. Faltou treinamento do pessoal de apoio.

Sidney Lopes/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

A fila nos bebedouros e os bares fechados (acima): milhares de torcedores não encontraram água para beber

Alimentação

Poucos bares abriram suas portas durante o jogo da estreia e a bebida e a comida acabaram rapidamente. A Minas Arena alegou ter tido problemas com fornecedores.

Banheiros

Faltaram água, luz e papel higiênico na maioria dos toaletes. A faxina depois das obras da reforma também deixou a desejar. Havia restos de material de construção em muitos dos banheiros.Apesar dos problemas que tanto irritaram os torcedores, há também o que enaltecer na reabertura do Gigante da Pampulha. A grandiosa reforma, um verdadeiro gol de placa, deixou nosso estádio mais moderno, mais bonito e mais confortável. Seis pontos merecem destaque:

Esplanada

Os torcedores, que antes tinham de se espremer entre os carros estacionados em volta do estádio, ganharam bastante espaço para circular. Sem as escadas que levavam às roletas, a entrada ficou mais segura.

Visibilidade

Os pontos cegos, principalmente na arquibancada inferior e na geral, acabaram. De qualquer ponto do estádio, há uma boa visão das quatro linhas. As arquibancadas ficaram consideravelmente mais perto do campo.

Novas cadeiras

Espaçosos, confortáveis e retráteis, os assentos foram aprovados também no teste de resistência. Na empolgação da comemoração dos gols, não faltaram torcedores subindo nas cadeiras.

Telões

Dois enormes painéis instalados nas extremidades do campo, presos à cobertura, exibem os lances da partida, as substituições de jogadores e o placar com excelente qualidade de imagem.

Policiamento

Com 1 229 homens no Mineirão, a Polícia Militar garantiu a paz entre as torcidas do Atlético e do Cruzeiro. Não houve ocorrência grave na entrada ou na saída do jogo.

Reencontro das torcidas

Arquirrivais, atleticanos e cruzeirenses, que não se encontravam no mesmo estádio havia três anos, deram um show à parte. O que se viu foi muita animação durante os noventa minutos, uma prova de que divertido mesmo é jogo com duas torcidas. Que o digam Jefferson Ferreira Baptista, de 26 anos, e sua noiva, Nayane Antônia Ferreira, de 19. Os atleticanos se conheceram em 2006 em uma fila para comprar ingressos. No domingo, fizeram questão de comemorar a reabertura do estádio e o casamento (celebrado na véspera), vestidos a caráter, no meio da galera. Para eles e para todos os presentes, apesar dos tropeços, foi uma partida inesquecível.

Mais uma estreia no Gigante da Pampulha

No último domingo (3), VEJA BH participou da festa de inauguração do novo Mineirão. Enquanto Cruzeiro e Atlético se enfrentavam no gramado, a revista inaugurava seu camarote. Localizado quase em frente ao centro do campo, ele comporta quarenta convidados e servirá como ponto de encontro de personalidades da capital, sejam elas cruzeirenses, atleticanas, americanas... É possível assistir às partidas das cadeiras e, no intervalo, discutir os principais lances dentro de uma área climatizada. Os camarotes - 98 ao todo - são uma das boas novidades do Gigante da Pampulha, que conta também com um lounge vip e um restaurante panorâmico com capacidade para 370 pessoas.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE