Trânsito

Esse caos pode ter fim

Dez especialistas apontam sugestões para diminuir o tormento nosso de cada dia

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Se todos os veículos registrados em Belo Horizonte ­- 1,44 milhão - saíssem da garagem ao mesmo tempo, formariam uma fila de 5 770 quilômetros, o suficiente para percorrer, com folga, a distância entre Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR). Se ficassem dentro dos limites da cidade, então, nossos 4 645 quilômetros de vias seriam insuficientes para recebê-los. E a chegada de 270 novos automóveis por dia às ruas só piora a situação. Temos a terceira maior frota do Brasil, atrás apenas das de São Paulo e Rio de Janeiro. Mas BH, proporcionalmente, tem mais: 6,1 carros para cada grupo de dez habitantes. Na capital paulista são 5,9 e na fluminense, 3,5. O resultado é o trânsito caótico a que o belo-horizontino é submetido todos os dias, principalmente nos horários de pico. Segundo o último Censo, mais da metade da população gasta pelo menos meia hora no trânsito diariamente para ir ao trabalho e voltar. Isso se não houver nenhum contratempo.

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Na última terça, um acidente no Anel Rodo­­viário, próximo ao bairro Buritis, às 16h, provocou congestionamento até as 22h30 no local, na MG-030 (saída para Nova Lima) e na Região Centro-Sul. Por causa da chuva, um motorista de caminhão perdeu o controle, atravessou a pista e ficou preso na mureta de proteção. A interdição nos dois sentidos causou um colapso: muitos motoristas levaram até três horas para chegar ao destino. Foram canceladas as aulas na Faculdade Milton Campos. "A cidade não pode parar por motivos que fazem parte de seu cotidiano, pois acidentes no Anel acontecem todos os dias, chuvas caem periodicamente e obras terão de ser feitas por muitos anos", diz José Aparecido Ribeiro, um dos líderes da ONG SOS Mobilidade Urbana e presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da Associação Comercial de Minas. Essa tortura não escolhe classe social e atinge tanto quem anda de carro blindado, com motorista, quanto quem passa três horas por dia dentro de um ônibus. O caos é responsável também por provocar acidentes, aumentar a poluição e causar graves prejuízos econômicos. Mas há soluções. Elas custam caro. Aplicá-las, no entanto, não depende somente do dinheiro dos cofres públicos. A tarefa exige imaginação, coragem e competência do poder público. VEJA BH ouviu dez especialistas em trânsito para chegar às soluções apresentadas a seguir.

Veja as 10 soluções para o trânsito de Belo Horizonte

Investir em sistemas combinados de transporte público Criar estacionamentos subterrâneos Realizar um pacote de intervenções viárias Implantar o rodízio de veículos ou o pedágio urbano Desafogar grandes avenidas e o Anel Rodoviário Desenvolver campanhas educativas Multar mais, para que todas as leis de trânsito sejam respeitadas Tirar os carros em más condições das ruas Investir em pequenas medidas que dão grandes resultados Exigir estudos sobre o impacto no trânsito antes de aprovar novos empreendimentos

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE