Futebol

Troféu Fifa, entregue aos campeões mundiais, chega a Belo Horizonte na segunda (28)

Taça que será exposta no Shopping Del Rey só pode ser tocada por jogadores campeões e chefes de Estado

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Marcos Rosa - Ricardo Corrêa
(Foto: Redação VejaBH)

Dunga, o capitão de 1994, e Cafu (ao lado), o de 2002, levantam o troféu de ouro: privilégio para poucos

O sociólogo alemão Walter Benjamin (1892-1940) relacionava a aura de um objeto à sua existência única, que o tornava digno de culto. Segundo o pensador, quanto mais difícil, rara e exclusiva é uma obra, mais impressionante é a sensação quando a vemos de perto. É provável que, se estivesse vivo, Benjamin ficasse fascinado pelo Troféu Fifa, dado ao campeão da Copa do Mundo. Protegido por um fortíssimo esquema de segurança, o cobiçado artefato de ouro de 18 quilates só pode ser tocado por chefes de Estado e jogadores das seleções vencedoras. "Quando você está diante dele, não pensa em nada, é emoção pura", diz Gilberto Silva, que levantou o troféu em 2002, na Copa do Mundo da Coreia e do Japão. "A sensação de beijar essa taça foi indescritível." Será justamente o ex­­-volante da seleção que apresentará ao público belo­-horizontino a peça, de 36,8 centímetros e 6,175 quilos, que ficará exposta no Shopping Del Rey na segunda (28) e na terça (29). A expectativa dos organizadores é receber 40 000 pessoas para ver o alvo de desejo dos 32 países que disputarão a Copa no Brasil, em junho. "Nosso objetivo é dar o pontapé inicial no clima festivo para a Copa", diz Victor Bicca, diretor de comunicação da Coca-Cola, empresa responsável pelo evento em parceria com a Fifa. Das 9 às 21 horas, os visitantes vão se divertir com DJs, dançarinos, jogadores de futebol freestyle e brincadeiras como totó humano e chutes ao gol. Monitores de TV exibirão vídeos históricos e jogos interativos sobre futebol. Estrela da festa, o Troféu Fifa ficará protegido por uma redoma de vidro blindado, sobre um pedestal giratório. "Por tudo o que representa, ele é provavelmente o objeto mais cobiçado no planeta", acredita Bicca.

A taça chegará à capital mineira após rodar bastante. Desde setembro de 2013, quando o giro pelo mundo teve início, ela já foi exibida em outros 89 países, incluindo lugares como Tanzânia, na África; Israel, no Oriente Médio; Fiji, na Oceania; e Butão, na Ásia - o último colocado no ranking da Fifa. Belo Horizonte será a terceira parada do caneco no país, depois do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. Daqui, ele seguirá para Salvador. Todas as 26 capitais, além do Distrito Federal, constam do roteiro da excursão, que durará 41 dias e terminará em São Paulo, em 1º de junho.

Entre as 21 horas de segunda e as 9 horas da terça, período em que a exposição estará fechada, o troféu ficará em endereço não revelado. Todos os detalhes do esquema de proteção são guardados a sete chaves pela organização. Tanto cuidado se justifica pelo destino trágico da antecessora, a Taça Jules Rimet, cuja posse definitiva foi garantida com o tricampeonato brasileiro, em 1970. A história é conhecida: em 1983, ela foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e, provavelmente, derretida. Quatro pessoas acabaram presas, mas nunca foram encontrados vestígios das barras de ouro em que ela teria sido transformada. Depois do incidente, por precaução, o Troféu Fifa só deixou a sede da entidade, em Zurique, na Suíça, poucas vezes. O que os países vencedores da Copa do Mundo levam para casa é uma réplica.

O desenho do troféu que estará no Shopping Del Rey foi escolhido em um concurso realizado em 1971, que contou com a participação de 53 artistas europeus. Venceu a proposta do italiano Silvio Gazzaniga, que traz dois jogadores com os braços erguidos segurando o globo terrestre, numa representação do êxtase da vitória. As faixas verdes na base do objeto são feitas de malaquita, uma pedra semipreciosa, e remetem ao gramado (veja mais curiosidades abaixo). Já o corpo é de ouro maciço, segundo informa a federação internacional - apesar de uma pesquisa da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, garantir que ele é oco, com o argumento de que seria dez vezes mais pesado se fosse inteiriço. A grife Louis Vuitton criou um baú exclusivo para a taça, que só pode ser transportada por seguranças com as mãos devidamente cobertas por luvas. Se tudo correr bem, no dia 13 de julho teremos mais 23 brasileiros no seleto grupo de pessoas que podem tocá-la e beijá-la. Para todos os outros, vê-la de pertinho já é uma glória.

Um giro pelo planeta

Os números da turnê que teve início em setembro e será encerrada em junho

2 milhões de visitantes

90 países no roteiro

225 dias de duração

41 dias no Brasil, passando pelas 26 capitais e pelo Distrito Federal

14 meses foram necessários para a organização da exposição por aqui

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(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE