Copa do Mundo

Após vandalismo na abertura do torneio, clima de alegria prevalece na Copa

Festa no Mineirão e nas ruas contaram com a mudança de tática da PM de repressão a protestos

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Torcedores na Pampulha, policiais à espera de manifestantes na Savassi e a euforia de Aline Pífano e Gustavo Siqueira: enfim, paz

Milhares de policiais militares lado a lado, num cordão de isolamento, cercaram praças de BH: cenas de guerra para garantir um clima de paz. Depois de episódios lamentáveis de quebradeira e vandalismo na abertura da Copa do Mundo, no dia 12, as forças de segurança mudaram a forma de atuação para proteger cidadãos e torcedores, além de evitar a depredação de bens públicos e privados. Na última terça (17), quando a capital passou por uma dupla prova de fogo - com a partida entre Bélgica e Argélia no Mineirão e as ruas tomadas por uma multidão verde-amarela para assistir ao jogo entre Brasil e México, realizado em Fortaleza -, um batalhão de 12 000 homens barrou a aglomeração e a circulação de manifestantes. O principal foco foi a Praça da Savassi, onde houve abordagens e revistas entre os cerca de 200 interessados em fazer protestos. No fim de semana anterior, quando BH sediou a disputa entre Colômbia e Grécia, o alvo foi a Praça Sete e 500 pessoas foram cercadas por mais de 1 200 militares. A promessa da PM é que a estratégia de rigor para evitar tumultos será mantida até o fim da Copa.

"Demos um voto de confiança aos manifestantes na abertura dos jogos, mas mascarados tomaram a frente do movimento", diz o chefe da comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz Alves. Depois que uma viatura da Polícia Civil foi destruída na Avenida João Pinheiro, um cinema foi apedrejado e bicicletas de uso compartilhado foram danificadas nas imediações da Praça da Liberdade, a PM mudou de postura. "A cidade foi agredida e, para endurecer nossas ações, usamos a estratégia de envelopamento das manifestações", afirma Alves. "Revistamos suspeitos em um raio de 2 quilômetros a partir do ponto de concentração de ativistas." Na avaliação do sociólogo e pesquisador Vinícius Couto, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais, o uso simbólico da força por parte da polícia e a vinculação dos protestos a atos de baderna e vandalismo provocaram um esvaziamento dos movimentos. "Essas ações afastaram o cidadão comum", acredita. "Além disso, a Copa do Mundo tem um apelo forte entre os brasileiros."

Prova disso é que, na Praça da Savassi, os gritos de ordem dos manifestantes foram abafados quando a seleção de Scolari entrou em campo e a multidão cantou o Hino Nacional a plenos pulmões. A partir daí, o que se viu foi muita euforia nos bares e nas áreas de telões. "A festa prevalece e estamos felizes em receber estrangeiros", afirma o assistente administrativo Gustavo Siqueira, ao lado da namorada, Aline Pífano. Na terça, a Fan Fest do Expominas, na Gameleira, atingiu lotação máxima, de 21 000 pessoas, e, no Mineirão, o clima também foi de comemoração. Hora de torcer para que a festa continue até o dia 13 de julho.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE