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Viaduto desaba sobre a Avenida Pedro I na quinta (3) e deixa dois mortos

Pelo menos dezenove pessoas ficaram feridas na tragédia

Por: Carolina Daher e João Renato Faria - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin - Reprodução Facebook
(Foto: Redação VejaBH)

O micro-ônibus e o Uno sob os escombros e a visão aérea do Complexo Vilarinho (detalhe): obra orçada em 54 milhões de reais. A vítima Hanna Cristina Santos: ela estava com a filha de 5 anos, que sofreu apenas escoriações leves Depois do estrondo, o prédio inteiro tremeu. Parecia um terremoto. "Saímos correndo e vimos o viaduto caído sobre a avenida", lembra o vendedor Fabrício Soares Martins, que trabalha ao lado da obra do Viaduto Batalha dos Guararapes, na Região Norte da capital. "Não sei quando vou conseguir parar de pensar nisso. Nunca vi nada parecido na minha vida." Pouco depois das 15 horas da última quinta (3), a construção caiu sobre a Avenida Pedro I, esmagando um veículo Uno, duas carretas e a frente de um micro-ônibus. Pelo menos duas pessoas morreram - os motoristas do coletivo e do Uno - e outras 23 ficaram feridas.

O viaduto começou a ser construído em 2013 para ligar os bairros Planalto e São João Batista, como parte do Complexo Vilarinho, orçado em 54 milhões de reais. A obra era de responsabilidade da empresa Cowan, vencedora da licitação, e tinha inauguração prevista para o fim deste mês. Sob o viaduto, que fica a cerca de 4 quilômetros do Mineirão, passaram pelo menos duas seleções que disputam a Copa do Mundo e jogaram por aqui: a da Argentina e a do Brasil. O trecho da tragédia fica no caminho entre a Cidade do Galo, usada como centro de treinamento pela equipe do país vizinho, e o Gigante da Pampulha, o que causou repercussão do caso na imprensa argentina. O time verde e amarelo passou por lá quando veio a Belo Horizonte jogar contra o Chile, no dia 28.

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Até as 21 horas da quinta, os bombeiros ainda não haviam conseguido retirar o Uno preso sob os escombros do viaduto. Não estava descartada a possibilidade de que houvesse outras pessoas no veículo, além do motorista. Naquele momento, a única vítima identificada era a motorista do micro-ônibus, Hanna Cristina Santos, de 25 anos. Con­­dutora da linha S70 (Conjunto Fe­­licidade-Shopping Del Rey), a moça transportava a própria filha, Ana Clara, de 5 anos. De férias, a menina resolveu ir para o trabalho com a mãe. "Era um programa para as duas", conta Anderson Eliviano, de 35 anos, ex-marido de Hanna e pai de Ana, que sofreu apenas escoriações leves. A maior parte dos fe­­ridos eram passageiros do ônibus. No grupo havia também funcionários da pre­­feitura e da construtora.

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Os bombeiros começaram a demolição do viaduto no início da noite de quinta. Estima-se que o trabalho dure vários dias. O objetivo é retirar os veículos presos sob os escombros e liberar as pistas da Avenida Pedro I para o tráfego. De acordo com a Cowan, o segundo viaduto do complexo, o Montese, seria escorado, para evitar o risco de um novo acidente. No dia 6 de fevereiro, o Montese chegou a ser interditado justamente por causa do risco de desabamento, mas acabou liberado quatro dias depois. Um inquérito foi instaurado para apurar as causas da tragédia. "Precisamos descobrir se houve falha de projeto ou de construção", afirmou o prefeito Marcio Lacerda, que decretou luto oficial de três dias.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE