Cinema

Emoção à flor da pele

Violeta Foi para o Céu narra com lirismo e em alta voltagem a intensa vida da artista chilena

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Avaliação ✪✪✪✫✫

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Gilbert Favre (Thomas Durand) e Violeta Parra (Francisca Gavilán): relação conturbada

No drama biográfico Violeta Foi para o Céu, o diretor chileno Andrés Wood, do ótimo Machuca (2004), parece ter se desafiado a criar um filme tão intenso quanto o temperamento da também chilena Violeta Parra (1917-1967). O esforço compensou. Com lirismo e emoção, o realizador construiu uma narrativa compatível com a obra vibrante da compositora, poetisa e pintora, símbolo forte da canção popular e folclórica de seu país. Vencedor da competição internacional do Festival de Sundance no início deste ano, o tributo evita o caminho fácil do didatismo e investe em um registro tomado por liberdades poéticas.

Escrito com base no livro homônimo do filho da artista (Ángel Parra), o roteiro não confunde o espectador mesmo ao embaralhar os principais episódios da vida de Violeta: da infância miserável à temporada na Europa ao lado do grande amor, o suíço Gilbert Favre (Thomas Durand), e, finalmente, à morte trágica. A relação intensa que ela cria com a música e o canto começa cedo, na companhia do pai violeiro. Uma das mais belas cenas do filme é precisamente um ataque de fúria de seu pai, brandindo o instrumento no ar e contra garrafas e espelhos. Algumas tomadas se repetem durante todo o enredo. Apresentam elementos emblemáticos para entender a vida e a obra da artista, como a galinha, o gavião, ela criança devorando uma fruta e a imagem de Violeta caminhando com o violão a tiracolo. Nos trechos mais tocantes, as melodias de Volver a los 17, En los Jardines Humanos e El Gavilán definem o ritmo da trama, engrandecida pela interpretação de Francisca Gavilán. A atriz veste as contradições de uma mulher combativa, radical, que jamais se afastou de suas maiores fontes de inspiração: o campo e o povo.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE