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Espetáculo Os Olhos do Surubim Rei recria técnica popular no Vietnã

Peça do grupo Teatro Kabana homenageia o Rio São Francisco

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Bruno Figueiredo
(Foto: Redação VejaBH)

Boneco de madeira em aquário gigante: a encenação já foi vista por mais de 60 000 pessoas

Criado para homenagear o Rio São Francisco, o espetáculo Os Olhos do Surubim Rei evoca a vida, os costumes, os mitos e as lendas característicos dos povos ribeirinhos. O protagonista, por exemplo, é um peixe centenário, que encarna a inteligência e o espírito das águas. Na história do avô e do neto que embarcam em uma pequena canoa atendendo ao pedido do personagem mitológico, qualquer acontecimento é suficiente para prender a atenção da garotada. Mas o Grupo Teatro Kabana vai além. A montagem utiliza a técnica de manipulação de bonecos sobre a água, muito popular em Hanói, no Vietnã, e inédita no Brasil. Há indícios de que a arte tenha surgido como uma brincadeira dos camponeses asiáticos no cultivo alagado dos arrozais. Para as bandas de cá, o ofício precisou ser adaptado. As figuras de até 30 centímetros esculpidas em madeira munungu, usada em mamulengos - fantoches típicos do Nordeste do país -, exploram o universo do rio, recriado em um aquário gigante de 10 000 litros.

Tudo acontece dentro desse poço, onde bonecos e atores camuflados interagem com outro importante elemento: o teatro de sombras. Atração à parte, a música ao vivo executada com viola caipira, violão e acordeão, entre outros instrumentos, intensifica a magia e a vivacidade da peça escrita por Nélida Prado e dirigida por Mauro Xavier. Há três anos em cartaz, o teatro de bonecos já passou por trinta cidades da Bacia do Rio Jequitinhonha, Médio e Alto São Francisco, além de Belo Horizonte e Sabará. No total, foram mais de 360 apresentações gratuitas e cerca de 60 000 espectadores.

Os Olhos do Surubim Rei (60min). Livre. Praça da Liberdade, s/n°, Funcionários. Neste sábado (14) e domingo (15), 16h, 17h15, 18h30 e 19h45. Grátis. Os ingressos serão distribuídos trinta minutos antes, limitados a 150 pessoas por sessão.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE