Cultura

Em 2013, BH entrou de vez na rota dos shows internacionais e ganhou três novos endereços para espetáculos e exposições

Nomes como Paul McCartney, Elton John, Beyoncé e Black Sabbath desembarcaram na capital mineira

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Rodrigo Clemente/EM/D.A Press/Leandro Couri/EM/D.A press/Nidin Sanches/Odin/Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)
O show de Elton John (em sentido horário, a partir do alto), em março; o interior e a fachada do CCBB, inaugurado em agosto; e a apresentação do Black Sabbath, em outubro: marcos do calendário

"Não há nada legal para fazer em Belo Horizonte." Em 2013, os mal-humorados e insatisfeitos de sempre não tiveram motivo para soltar a frase que já foi bastante comum nas mesas de botecos da cidade. Nossa agenda de entretenimento cultural nunca foi tão agitada. Da produção de shows internacionais à abertura de novos espaços para espetáculos e exposições, a programação foi intensa. Se antes a possibilidade de ver a capital mineira incluída nas turnês de grandes estrelas mundiais era remota, atualmente participamos, com boa chance, das disputas por datas com outras importantes capitais do país, como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A reinauguração do Mineirão, em fevereiro, abriu um palco para shows de grande porte. "Agora conseguimos receber nomes que não tinham um espaço adequado para se apresentar", diz o produtor Aluízer Malab. Ele foi o responsável pelo primeiro grande espetáculo internacional do ano, o show do cantor inglês Elton John, em março. Cerca de 40 000 pessoas acompanharam a apresentação no Gigante da Pampulha. "Foi o início de uma nova era para BH", acredita Malab.

Dois meses depois foi a vez do ex-bea­tle Paul McCartney. "Tinha gente que esperava por esse show havia quase cinquenta anos", afirma Gegê Lara, sócio da Nó de Rosa, produtora do evento. Também no Mineirão, o espetáculo foi visto por mais de 50 000 fãs de diversas gerações. O estádio ainda foi endereço para as performances da diva pop Beyoncé e dos metaleiros do Black Sabbath, que se apresentaram na esplanada, do lado de fora. E não foi só no Mineirão que os astros internacionais se exibiram. Passaram pelo Chevrolet Hall, na Savassi, várias estrelas americanas: o trio Jonas Brothers, o guitarrista Steve Vai, a banda alternativa Incubus e a cantora moderninha Lana Del Rey, entre outros. Já o Mega Space, em Santa Luzia, na Grande BH, recebeu o grupo nova-iorquino de indie rock Yeah Yeah Yeahs e os californianos do Red Hot Chili Peppers. No campo da música, os motivos para comemorar não ficaram restritos à agenda estrangeira. Em setembro, saiu finalmente do papel a primeira edição da Virada Cultural belo-horizontina — 24 horas ininterruptas de apresentações em espaços culturais e praças. Foram mais de 450 atrações espalhadas pela cidade. "Tivemos um público estimado em 200 000 pessoas nas ruas", diz o presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Leônidas Oliveira. Os números de público nos eventos de 2013 foram mesmo excepcionais. "Só nos centros culturais recebemos 1,4 milhão de pessoas, mais do que a soma dos dois últimos anos", informa Oliveira. As fotos de paisagens tiradas do alto pelo fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, reunidas na exposição A Terra Vista do Céu, no gradil do Parque Municipal, foram vistas por 1 milhão de visitantes. O espetáculo Corteo, do Cirque du Soleil, teve uma temporada de 34 dias, entre setembro e outubro, sempre com sessões lotadas.

A diversificada oferta de programas merece destaque, certamente. Mas o grande marco do ano foi a abertura de espaços culturais. Belo Horizonte ganhou três novos centros, garantindo local para shows, apresentações teatrais e exposições. Em março, o Teatro Bradesco, no Centro Cultural do Minas Tênis Clube, abriu suas portas para o público. Em outubro, o clube inaugurou também sua galeria de arte, que teve a exposição da artista japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake. Perto dali, o Circuito Cultural da Praça da Liberdade recebeu ao longo do ano mais dois reforços — o funcionamento do Palácio da Liberdade como museu e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Instalada no edifício histórico onde funcionou a Secretaria Estadual da Defesa Social, com 12 000 metros quadrados, a unidade belo-horizontina do CCBB é a maior do país em área aproveitável. Além de espaço para exposições, tem um teatro, uma livraria e dois cafés. Inaugurado em agosto, ele foi sede de mostras de grande repercussão, como Elles, com 120 obras de arte produzidas por artistas mulheres, Fernando Sabino 90 Anos e Amilcar de Castro: Repetição e Síntese. Segundo a gerente executiva do Circuito Cultural Praça da Liberdade, Cristiana Kumaira, os nove endereços no entorno da praça receberam mais de 800 000 visitantes ao longo de 2013, cerca de 100 000 a mais do que em 2012. Após quase quinze anos fechado, o Cine Theatro Brasil, na Praça Sete, foi reaberto em outubro, com a exposição dos painéis Guerra e Paz, do pintor Candido Portinari. Lá, a antiga sala de cinema foi transformada em palco para espetáculos teatrais, com capacidade para até 1 000 pessoas. "A cidade está pulsando", comemora Cristiana. Não dá mesmo para reclamar de falta de programas bem legais por aqui.

O que vem por aí

Confira algumas atrações que estão previstas para 2014

Se 2013 foi espetacular, 2014 é promissor. No Circuito Cultural da Praça da Liberdade, a expectativa é pela abertura da Casa Fiat de Cultura, prevista para junho. O centro ocupará o antigo Palácio dos Despachos. Já a prefeitura planeja reabrir o Cine Santa Tereza e os teatros Francisco Nunes e Marília, que passam por reforma. A administração municipal ainda pretende inaugurar o Espaço Multiuso do Parque Municipal, com auditório e palco para espetáculos. Ele funcionará onde era o Colégio Imaco. E prevê que a próxima edição do Festival Internacional de Teatro (FIT-BH), em maio, será a maior da história do evento, que teve início em 1994. "Estamos com 22 companhias cênicas do exterior já confirmadas e queremos chegar a trinta", afirma o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira. As produtoras Malab e Nó de Rosa também revelam que estão adiantadas as conversas com astros internacionais para shows no Mineirão. As negociações, porém, ainda esbarram nas restrições impostas pela Fifa para a Copa do Mundo. A entidade pede que o gramado seja poupado no primeiro semestre. "A ideia é conseguir datas mais para o fim do ano", diz Aluízer Malab.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE