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Acervos públicos guardam 2 400 obras que poderiam compor pinacoteca de BH

Prédio onde funciona o Detran-MG deve receber instituição com coleção permanente de nomes como  Guignard, Inimá de Paula, Amilcar de Castro, Alfredo Volpi e Di Cavalcanti

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

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Ponta de Umbu (1969), de Inimá de Paula: atualmente no Museu Mineiro (Foto: Carlos Hauck/Odin)

 

Um acervo de cerca de 2 400 obras que estão em poder dos governos estadual e municipal, a maioria delas em salas fechadas, pode ganhar um lugar para ser exposto ao público. O secretário de Cultura de Minas, Angelo Oswaldo, anunciou no fim do mês passado que o prédio onde atualmente funciona o Detran-MG, na Avenida João Pinheiro, no Centro, poderá tornar-se uma pinacoteca. “Precisamos de um museu que venha ativar nosso cotidiano, estimular nossa produção e dar visibilidade a nossos artistas”, afirmou Oswaldo, sem detalhar um cronograma de obras de adaptação do imóvel e inauguração. Até lá, os cerca de 720 quadros, desenhos, fotos, gravuras e esculturas sob a guarda do estado continuarão divididos entre o Museu Mineiro e a Fundação Clóvis Salgado. VEJA BH visitou os arquivos e, em meio a tantas preciosidades embaladas (confira alguns exemplares nas fotos acima), encontrou obras de artistas como Alberto da Veiga Guignard, Inimá de Paula, Amilcar de Castro, Alfredo Volpi, Di Cavalcanti, Belmiro de Almeida, Geraldo Teles de Oliveira, o GTO, Cildo Meireles, Jorge dos Anjos, Fernando Lucchesi, Lorenzato e Beatriz Milhazes, entre outros. “São artistas de gerações e perfis diferentes, mostrando uma relevante diversidade”, afirma Uiara Azevedo, gerente de artes visuais da Fundação Clóvis Salgado. A equipe faz um meticuloso trabalho para a conservação do acervo, iniciado em 1928 por decisão do então presidente do estado, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946). 

A pinacoteca seria ainda um espaço para a exposição de outros acervos, muitos deles escondidos, como o de colecionadores particulares e o da prefeitura de Belo Horizonte. Segundo a Fundação Municipal de Cultura, além do acervo do Museu Histórico Abílio Barreto, consta no inventário do Museu de Arte da Pampulha (MAP) uma coleção composta de mais de 1 600 obras, de representativos artistas mineiros e brasileiros capazes de retratar um panorama da arte moderna e contemporânea nacional. Está reunido por lá, por exemplo, o trabalho de Guignard e de seus alunos, como Chanina, Jarbas Juarez, Wilde Lacerda e Yara Tupynambá. “Nossa pinacoteca seria, de imediato, uma referência no cenário artístico brasileiro”, acredita Rodrigo Vivas, professor de história da arte da UFMG. “Essa discussão vem desde os anos 60, e esperamos que, finalmente, saia do papel.” 

A classe artística comemorou o anúncio da criação da pinacoteca, assim como aprovou a sua localização estratégica — poderia ser integrada ao Circuito Cultural Praça da Liberdade. Construído no fim dos anos 50, o edifício modernista foi projetado pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto. Ele é o autor de outros ícones, como o da sede do Banco Central de Brasília, cujo projeto se repete em outras capitais, incluindo Belo Horizonte, na Praça Carlos Chagas, no Santo Agostinho. Na entrada, encontra-se um painel, de 12,5 x 2,6 metros, do artista plástico mineiro Mario Silésio (1913-1990), em azulejos azul, amarelo, vermelho e branco. Belo Horizonte tem recebido boas exposições de fora, como a do pintor russo Wassily Kandinsky, em cartaz hoje no Centro Cultural Banco do Brasil. Chegou a hora de valorizar também o que se produz por aqui. 

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE