Exposições

Alexandre Júnior apresenta série de desenhos inspirados em antigos cartazes de boxe

Universo dos combates e estética da luta são o foco das obras expostas na Galeria de Arte do BDMG Cultural, em Lourdes

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

El Lucha dos Muchachos: o portunhol no título dos trabalhos é proposital

No trabalho do jovem artista Alexandre Júnior, a cultura popular é protagonista. Em 2012, ele expôs no Centro Cultural da UFMG uma vibrante coleção de desenhos que retratavam cenas de uma festa de aniversário. Aos 22 anos, apresenta agora uma nova série. Desta vez, o assunto é o universo da luta livre mexicana, do telecatch e do boxe. Ele conta que sempre se interessou pelas cores e pela linguagem dos antigos cartazes de divulgação de lutas e que já vinha fazendo tentativas de desenvolver o tema. Na mostra Reis do Ringue, dezoito cartazes e cerca de dez esboços são exibidos. Entre as técnicas utilizadas estão tinta acrílica, nanquim, guache e grafite.

Galeria de Arte do BDMG Cultural. Rua Bernardo Guimarães, 1600, Lourdes, ☎ 3219-8599. Todos os dias, 10h às 18h. Grátis. Até 9 de junho.

Exposições: programação para os dias 18 a 24 de maio

ÚLTIMA SEMANA

✪✪✪ Antonio Dias

Mais conhecido por seus desenhos e assemblages com notável influência da pop art, o artista paraibano apresenta agora uma série um tanto hermética, mas importante em sua trajetória profissional. No fim dos anos 70, Dias foi ao Nepal estudar a produção artesanal de um papel à prova de mofo. Na década seguinte, a imersão na cultura daquele país inspirou uma série de trabalhos que permaneceu longe dos olhos do público até agora. As composições abstratas trazem formas geométricas e figuras que podem lembrar rostos, martelos e falos. As obras dificilmente vão agradar ao espectador convencional, mas são importantes para entender o processo criativo de um dos mais respeitados artistas contemporâneos do país.

Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até sábado (25).

Estêvão Machado

Artistas, curadores e alguns entendidos de arte costumam se referir a galerias como "cubos brancos". O termo foi cunhado nos anos 70 pelo crítico Brian O'Doherty para ironizar o caráter de neutralidade, limpeza e quase santidade que essas instituições professavam. As galerias ainda são espaços pouco frequentados pelo grande público e, para o pintor mineiro Estêvão Machado, dessa forma artista e espectador saem perdendo. Para aproximar as pessoas de seu trabalho, Machado montou uma grande estrutura cúbica ao lado do coreto da Praça da Liberdade. Lá dentro estão quatro enormes painéis pintados a óleo que retratam memórias pessoais do artista e cenas urbanas. Intitulada Buraco Branco, a intervenção pode ser visitada gratuitamente até este domingo (19).

Praça da Liberdade. Neste sábado (18)e domingo (19), 9h às 21h. Grátis.

✪✪✪ Guilherme Cunha

O Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, belo edifício neoclássico espremido entre o Café Nice e um shopping popular, abriga a individual de Guilherme Cunha. Interessado nos processos cognitivos humanos, o artista apresenta cinco instalações inéditas que estimulam os sentidos e a sensibilidade do espectador. Logo na entrada, duas cabines de madeira interligadas permitem que os visitantes ouçam os batimentos cardíacos de quem está do outro lado. Já na instalação Atmosfera Artificial, 24 tubos exalam um gás terapêutico com alta taxa de oxigênio. Boa dica para quem anda estressado e circula pelo centro da cidade.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737, Centro, ☎ 3263-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até domingo (26).

EM CARTAZ

Assis Horta

Eram apenas retratos 3x4, mas o valor histórico e a sensibilidade do fotógrafo transformaram as imagens em arte. Na década de 40, Assis Horta registrou centenas de cidadãos diamantinenses para a primeira carteira de trabalho. O artista, hoje com 95 anos, conta que as pessoas gostavam tanto da experiência que voltavam para ser retratadas com os amigos e a família. Além do primor técnico com iluminação e composição, é interessante observar nas imagens as expressões curiosas de pessoas que certamente eram fotografadas pela primeira vez.

Centro Cultural e Turístico do Sistema Fiemg - Galeria Fiemg. Praça Tiradentes, 4, Centro, Ouro Preto (a 96 quilômetros de Belo Horizonte), ☎ 3551-3637. Segunda a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 2 de junho.

Daniel Bilac

Com apenas 26 anos, Bilac já é representado por uma das galerias mais importantes da cidade, a Celma Albuquerque. Formado pela Escola de Belas Artes da UFMG, o artista vem sendo reconhecido pelas delicadas composições que misturam desenho, pintura e colagem. O curioso é que quase todos os trabalhos são pensados a partir da figura de um cão. Ao redor da ilustração, Bilac posiciona frases, desenhos e colagens em papel. Algumas obras contam até com pedaços de uma antiga caderneta de seu avô.

Galeria de Arte Nello Nuno. Rua Alvarenga, 794, Cabeças, Ouro Preto (a 96 quilômetros de Belo Horizonte), ☎ 3551-2014. Segunda a sexta, 12h às 18h. Grátis. Até dia 31.

✪✪✪ Escrituras em Liberdade

A nova mostra que ocupa as galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta tem sangue latino. Escrituras em Liberdade apresenta trabalhos de trinta escritores espanhóis e latino-americanos, além de um italiano. Estão expostos manifestos artísticos, suplementos culturais, fotografias, poemas, serigrafias e objetos que exprimem as diversas experimentações poéticas que se deram no século passado. Entre as peças mais interessantes estão Camada de Víboras, obra de inspiração surrealista do espanhol Antonio Gómez, e a série de desenhos Elogio à Caligrafia, de Ángel Sánchez.

Palácio das Artes - Galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de junho.

✪✪✪ Lasar Segall

Não por acaso, algumas obras de Segall (1891-1957) retratam emigrantes, marinheiros e outros personagens que parecem viajar rumo a uma terra nova e promissora. Nascido na Lituânia, o pintor e gravador deixou uma Europa arrasada pela I Guerra Mundial para desembarcar no Brasil em pleno clima de ufanismo e efervescência modernista. Seus traços expressionistas, herdados da formação alemã, somaram-se a temas bem brasileiros, como bananeiras, animais, mar, sol, favelas e até o mangue. A mostra A Gravura de Lasar Segall - Poesia da Linha e do Corte exibe dezesseis gravuras em metal e dezenove xilogravuras.

Sesc Palladium - Galeria de Arte GTO. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3214-5350. → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até 23 de junho.

Lemos de Sá Galeria de Arte

Ao lado das galerias Murilo Castro, Celma Albuquerque e AM, a Lemos de Sá representou Minas Gerais na última SP Arte. Depois de participar pela sétima vez consecutiva de uma das feiras de arte mais importantes do mundo, a proprietária Beatriz Lemos de Sá decidiu renovar o acervo em exposição. No grande galpão localizado no bairro Jardim Canadá estão obras de Manfredo de Souzanetto, Célia Euvaldo e Rodrigo de Castro. Também é possível conferir os trabalhos de dois mineiros de destaque: o consagrado escultor Amilcar de Castro (1920-2002) e o jovem fotógrafo Pedro David, que venceu no mês passado o importante prêmio da Fundação Conrado Wessel.

Lemos de Sá Galeria de Arte. Avenida Canadá, 147, Jardim Canadá, ☎ 3261-3993. Segunda a sexta, 10h às 18h; sábado, 11h às 14h. Até 10 de junho.

Memorabilia

Wania Guimarães e Steffania Paola inauguraram na última terça (15) a mostra Memorabilia. As relações entre memória individual e coletiva norteiam o trabalho das duas artistas mineiras. Wania debruçou-se sobre as lembranças de sua própria infância, vividas principalmente no quintal de sua casa. Já Steffania discute o conceito de memória histórica a partir de uma coleção de 2 000 slides com imagens de vários países do mundo.

Salão Cultural da Aliança Francesa de Belo Horizonte. Rua Tomé de Souza, 1418, Savassi, ☎ 3291-5187. Segunda a sexta, 7h30 às 21h. Grátis. Até 15 de junho.

✪✪✪ Do Moderno ao Contemporâneo na Coleção Mineira

Prorrogada a coletiva que celebra os cinco anos do Museu Inimá de Paula. Estão expostas esculturas de Amilcar de Castro, Bruno Giorgi e Alfredo Ceschiatti, além de telas de Di Cavalcanti, Volpi, Manabu Mabe, Siron Franco, Antonio Dias, Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman e Iberê Camargo. Também marcam presença artistas contemporâneos como o celebrado Vik Muniz, a jovem pintora Mariana Palma e os valorizados Beatriz Milhazes, José Bento e Tunga. Obras do mestre polonês Frans Krajcberg, no entanto, tiveram sua imponência prejudicada pela montagem. Duas de suas famosas esculturas de madeira pintadas de vermelho foram afixadas contra uma parede do mesmo tom. Um fundo contrastante certamente faria mais jus à exuberância das raízes retorcidas.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320.→ Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 20h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 2 de junho.

✪✪✪ Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas

Quando o conceito de arte contemporânea começou a tomar força, em meados dos anos 70, os artistas plásticos que integram esta mostra sediada no Palácio das Artes ainda eram crianças. Hoje, aos 30 e poucos anos, André Komatsu (SP), Laura Belém (MG), Jonathas de Andrade (AL), Paulo Nenflidio (SP) e Marcone Moreira (MA) são os atuais vencedores do Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas. Representante mineira do programa, a belo-horizontina Laura Belém participa com instalações inéditas que foram montadas poucos dias antes da abertura da mostra. Já o alagoano Jonathas de Andrade apresenta sua série de cartazes Educação para Adultos, exibida pela primeira vez na Bienal de São Paulo de 2010.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de junho.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE