Exposições

Artista João Maciel pinta painel ao vivo no Sesc Palladium

Durante cinco dias o público poderá assistir à pintura da obra

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

João Maciel
(Foto: Redação VejaBH)

Desenho da série Pindorama: miscelânea de temas

Os trabalhos de João Maciel parecem tão loucos quanto o seu próprio autor. Dono de uma barba quase indiana e de um discurso difícil de acompanhar, o artista belo-horizontino traduz o que pensa em coloridas pinturas, gravuras, desenhos, instalações e bizarras esculturas. A formação tradicional em artes se deu pela Escola Guignard, mas seu traço ganhou influência da street art e da linguagem das HQs cyberpunks — gênero sombrio de quadrinhos que traz ficções científicas sobre a relação entre seres humanos e máquinas, cidades-fantasma, cenários degradados e personagens marginais. A convite da equipe do Verão Arte Contemporânea, Maciel vai realizar um "desenho-pintura" para o Projeto Parede do Sesc Palladium. Entre quarta (15) e domingo (19), ele criará um grande painel no foyer da Avenida Augusto de Lima. A obra ficará exposta até 9 de março. Sesc Palladium. Avenida Augusto de Lima, 420, Centro, ☎ 3720-8100. → Quarta (15) a domingo (19), 14h às 20h. Grátis.

Exposições: programação para os dias 11 a 17 de janeiro › EM CARTAZ

✪✪✪✪ Amilcar de Castro — Repetição e Síntese

A mostra do CCBB traz um respeitável panorama da carreira do artista mineiro. Ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, Amilcar (1920-2002) é um ícone do movimento neoconcreto e tornou célebre a técnica de escultura em chapas de ferro que chamou de "corte e dobra". Ocupando todo o 3º andar e o pátio interno do prédio, a exposição, uma das maiores já realizadas no país, traz 500 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. As peças vieram das três principais fontes do acervo do artista: o Instituto Amilcar de Castro e as coleções de Marcio Teixeira e Allen Roscoe. Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até dia 27.

✪✪ BHÁsia

Duas das quatro intervenções inauguradas em outubro do ano passado continuam em exposição até o mês que vem: a urna O Dragão Azul-Celeste, Tigre Branco, Pássaro Vermelho e Tartaruga Negra Vivem em Minério de Ferro, na Praça da Liberdade (Zhang Huan), e a Ilha de Encantamento, na barragem Santa Lúcia (Jennifer Wen Ma). Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários. Todos os dias, 8h às 22h. Grátis. Até 12 de janeiro de 2014; Barragem Santa Lúcia, s/nº, São Bento. Todos os dias, 10h às 18h (com passeio de pedalinho através e ao redor da ilha). Grátis. Até fevereiro.

Bordadas Memórias de Sutis Lembranças e Tramas e Bordados — Ontem e Hoje

Ao longo dos séculos, a lingerie adap­tou-se às mudanças culturais e, naturalmente, às exigências da mulher contemporânea. Parte dessa história pode ser apreciada nas duas mostras abertas no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte (CRModa). A primeira, com curadoria de Marília Salgado, traz "camisolas do dia" — a peça mais importante do enxoval da noiva em meados do século XX — e outros artigos confeccionados nas décadas de 50 a 70. Já a segunda, coordenada pelo estilista Renato Loureiro, reúne peças íntimas e camisolas bordadas a mão em oficina realizada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte. Rua da Bahia, 1149, Centro, ☎ 3277-1181. → Segunda, 10h às 19h; terça a sexta, 10h às 21h. Grátis. Até 31 de maio.

✪✪✪ Escavar o Futuro

Em 1970, enquanto a exposição Objeto e Participação inaugurava a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, artistas defendiam sua liberdade criativa na lendária manifestação Do Corpo à Terra, realizada no Parque Municipal, que acabou subvertendo radicalmente a linguagem das artes plásticas. Responsável pela curadoria dos dois eventos, o crítico Frederico Morais publicou um trabalho contendo a frase "Arqueologia do urbano — Escavar o futuro". E foi ela a inspiração para a mostra, cuja proposta é refletir sobre a noção de intervenção urbana. Entre as mais de vinte obras selecionadas, encontram-se fotografias de Wilson Baptista e Cláudia Andujar, além da série de imagens da década de 60 do francês Marcel Gautherot, de conjuntos de heliogravuras do argentino Leon Ferrari e de trabalhos dos festejados Pedro Motta, João Castilho, Cinthia Marcele e Paulo Nazareth. Parque Municipal, Palácio das Artes (Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e Galeria Arlinda Corrêa Lima). Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737 (Praça Sete), Centro, ☎ 3236-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de fevereiro.

✪✪✪ Esquizofrenia Tropical

Museu de Arte da Pampulha. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha, ☎ 3789-1600. Terça a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 9 de fevereiro.

Fernando Vignoli

As paredes e os labirintos clássicos que dão o tom expressionista e surrealista às obras do artista plástico estão mais próximos de seus entusiastas mineiros. Dez anos depois de se mudar para Nova York, onde abriu um ateliê, o belo-horizontino retornou à capital para inaugurar a Vignoli Fine Art. Suas telas podem ser apreciadas e adquiridas na mostra From Babel to Basel, até março de 2014. Depois, o lugar acolherá outros nomes que andam despontando no circuito das artes. A ideia é inserir a Fine Art no hall das galerias que despertam o interesse dos turistas. De R$ 3 500,00 a R$ 1,2 milhão. Vignoli Fine Art do Brasil. Rua Rio de Janeiro, 1930, Lourdes, ☎ 3327-2702. Segunda a sábado, 12h às 20h. Grátis. Até março.

✪✪✪ Narrativas Poéticas

Com montagem e iluminação caprichadas, a mostra ocupa os três pisos do Museu Inimá de Paula com 89 obras de grandes nomes, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Farnese de Andrade. No 2º andar, vale a pena demorar em frente à delicada aquarela de Kichizaemon Takahashi e ao óleo Terra e Lua, de Wega Nery. O destaque do 3º piso é a exuberância de três telas em vermelho de Tomie Ohtake. A oportunidade de ver de uma só vez tantos trabalhos significativos para a história da arte brasileira torna quase desnecessários alguns áudios e projeções colocados nos salões. Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até dia 26.

Oratórios — Relíquias do Barroco Brasileiro

O Museu de Artes e Ofícios prorrogou até 30 de março a exposição inaugurada em novembro do ano passado, mês em que é comemorado o Dia do Barroco Mineiro (18). A data remete ao aniversário de morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que, em 2014, completa seu bicentenário. A mostra gratuita reúne oratórios, objetos e outras imagens sacras produzidas entre os séculos XVII e XX. São 115 peças pertencentes ao acervo do Museu do Oratório, instalado em Ouro Preto desde 1998. O destaque do conjunto é um "oratório de salão" — usado na sala principal das residências — que decorou o quarto do papa João Paulo II em sua visita ao Brasil em 1997. Museu de Artes e Ofícios. Praça Rui Barbosa (Praça da Estação), Centro, ☎ 3248-8600. Terça e sexta, 12h às 19h; quarta e quinta, 12h às 21h; sábado, domingo e feriados, 11h às 17h. Grátis. Até 30 de março.

✪✪ Salão Nobre e Gabinete do Secretário — CCBB

O 2° andar do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) acaba de ganhar duas salas de exposições permanentes que vão ajudar os belo-horizontinos a relembrar a história do edifício e da cidade. Tanto no Salão Nobre quanto no Gabinete do Secretário, os visitantes encontram paredes ricamente adornadas e uma diversidade de móveis de madeira, alguns, inclusive, da Laubisch Hirth, a mais importante fábrica de mobílias do Brasil entre as décadas de 20 e 50. Sob a influência neoclassicista, o prédio foi inaugurado em 7 de setembro de 1930, no dia da posse do governador Olegário Maciel, com projeto do arquiteto Luiz Signorelli. Filho de italianos, ele mais tarde ajudou a criar a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. As peças expostas são de fato bonitas e estão bem preservadas, mas só valem a visita como coadjuvantes da mostra principal em cartaz. Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis.

✪✪✪ Simbio

Há quinze anos na função de levar ao público belo-horizontino a vanguarda da produção cultural do Brasil e do mundo, o Eletronika — Festival de Novas Tendências surge com a terceira edição do Simbio. Desta vez, a exposição idealizada por Jeff Santos reúne três coletivos que andam despontando no cenário mineiro: 425CRINA!, com a obra Artefato Atentada ou Presente pra Paz; Fósforo Coletivo, com Sinapse; e MIR Audiovisual Studio, com Territórios. Todos os trabalhos extrapolam a área de atuação dos artistas convidados. Oi Futuro — Galeria de Artes Visuais. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-2979. → Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro.

✪✪✪ Tomie Ohtake

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, ela é considerada a dama das artes plásticas no país e segue em atividade aos 100 anos de idade. Em homenagem a seu centenário, completado em 21 de novembro, foram organizadas mostras em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Por aqui, cinquenta obras encontram-se montadas em ordem cronológica e ilustram diversas fases de sua carreira. Só o primeiro quadro é figurativo. O que se vê nas telas seguintes é o uso crescente e mais livre de manchas de cor e formas circulares, ovais e retangulares. No fim do corredor estão uma bela série de gravuras e, dependuradas no teto, cinco esculturas de ferro, quatro produzidas no ano passado. Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE