Exposições

CCBB abre exposição permanente com móveis e decoração que remetem à história do prédio e de BH

Peças decoram o Salão Nobre e recriam o Gabinete do Secretário no prédio que abrigou repartições públicas

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Anna FGT
(Foto: Redação VejaBH)

Gabinete do Secretário: além de mesas e cadeiras, o acervo inclui partes de textos de Carlos Drummond de Andrade

O2° andar do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) acaba de ganhar duas salas de exposições permanentes que vão ajudar os belo-horizontinos a relembrar a história do edifício e da cidade. Tanto no Salão Nobre quanto no Gabinete do Secretário, os visitantes encontram paredes ricamente adornadas e uma diversidade de móveis de madeira, alguns, inclusive, da Laubisch Hirth, a mais importante fábrica de mobílias do Brasil entre as décadas de 20 e 50. Sob a influência neoclassicista, o prédio foi inaugurado em 7 de setembro de 1930, no dia da posse do governador Olegário Maciel, com projeto do arquiteto Luiz Signorelli. Filho de italianos, ele mais tarde ajudou a criar a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais.

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças e no dia 1° de janeiro). Grátis.

Exposições: programação para os dias 28 de dezembro a 03 de janeiro

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪✪ GTO - 100 Anos

Geraldo Teles de Oliveira (1913-1990) foi um homem humilde que descobriu tardiamente sua vocação artística. Depois de trabalhar em plantações e até como vigia noturno de um hospital, GTO (como gostava de ser chamado) disse ter tido uma série de visões que o incitavam a fazer esculturas. Autodidata, começou a produzir entalhes em madeira aos 55 anos. Em totens, mandalas e peças de formatos variados, ele retratou figuras religiosas, festas e costumes mineiros. Em homenagem ao centenário de seu nascimento, o mestre ganha mostra de trinta obras de madeira e uma peça rara esculpida em pedra-sabão.

Centro de Arte Popular - Cemig. Rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários, ☎ 3222-3231. → Neste sábado (28) e domingo (29), 12h às 19h. Grátis.

› EM CARTAZ

✪✪✪✪ Amilcar de Castro - Repetição e Síntese

A mostra do CCBB traz um respeitável panorama da carreira do artista mineiro. Ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, Amilcar (1920-2002) é um ícone do movimento neoconcreto e tornou célebre a técnica de escultura em chapas de ferro que chamou de "corte e dobra". Ocupando todo o 3º andar e o pátio interno do prédio, a exposição, uma das maiores já realizadas no país, traz 500 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. As peças vieram das três principais fontes do acervo do artista: o Instituto Amilcar de Castro e as coleções de Marcio Teixeira e Allen Roscoe.

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até 27 de janeiro de 2014 (com exceção do dia 1° de janeiro).

✪✪ BHÁsia

Duas das quatro intervenções inauguradas em outubro continuam em exposição até janeiro e fevereiro, respectivamente. A urna O Dragão ­Azul-Celeste, Tigre Branco, Pássaro Vermelho e Tartaruga Negra vivem em Minério de Ferro, na Praça da Liberdade (Zhang Huan), e a Ilha de Encantamento, na barragem Santa Lúcia (Jennifer Wen Ma).

Praça da Liberdade, s/n°, Funcionários. Todos os dias, 8h às 22h. Grátis. Até 12 de janeiro de 2014. Barragem Santa Lúcia, s/n°, São Bento. Todos os dias, 10h às 18h (com passeio de pedalinho através e ao redor da ilha). Grátis. Até fevereiro de 2014.

Bordadas Memórias de Sutis Lembranças e Tramas e Bordados - Ontem e Hoje

Ao longo dos séculos, a lingerie adaptou-se às mudanças culturais e, naturalmente, às exigências da mulher contemporânea. Parte dessa história pode ser apreciada nas duas mostras abertas no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte (CRModa). A primeira, com curadoria de Marília Salgado, traz "camisolas do dia" - peça mais importante do enxoval da noiva em meados do século XX — e outros artigos confeccionadas nas décadas de 50 a 70. Já a segunda, coordenada pelo estilista Renato Loureiro, reúne peças íntimas e camisolas bordadas a mão em oficina realizada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte.

Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte. Rua da Bahia, 1149, Centro, ☎ 3277-1181. Segunda, 10h às 19h; terça a sexta, 10h às 21h. Grátis. Até 31 de maio de 2014.

Escavar o Futuro

Em 1970, enquanto a exposição Objeto e Participação inaugurava a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, artistas defendiam sua liberdade criativa na lendária manifestação Do Corpo à Terra, realizada no Parque Municipal, que acabou subvertendo radicalmente a linguagem das artes plásticas. Responsável pela curadoria dos dois eventos, o crítico Frederico Morais publicou um trabalho contendo a frase "Arqueologia do urbano — escavar o futuro". E foi ela a inspiração para a mostra, cuja proposta é refletir sobre a noção de intervenção urbana. Entre as mais de vinte obras selecionadas, encontram-se fotografias de Wilson Baptista e Cláudia Andujar, além da série de imagens da década de 60 do francês Marcel Gautherot, de conjuntos de heliogravuras do argentino Leon Ferrari e de trabalhos dos festejados Pedro Motta, João Castilho, Cinthia Marcele e Paulo Nazareth.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014 (com exceção dos dias 31 e 1° de janeiro).

Esquizofrenia Tropical

Dezesseis jovens fotógrafos da América Latina foram escolhidos para participar da exposição temática que retrata os numerosos dramas sociais compartilhados pelos países, da violência à classe média ao otimismo para o futuro.

Museu de Arte da Pampulha. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha, ☎ 3277-7946. Terça a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 9 de fevereiro de 2014.

Fernando Vignoli

As paredes e os labirintos clássicos que dão o tom expressionista e surrealista às obras do artista plástico estão mais próximos de seus entusiastas mineiros. Dez anos depois de se mudar para Nova York, onde abriu um ateliê, o belo-horizontino retornou à capital para inaugurar a Vignoli Fine Art. Suas telas podem ser apreciadas e adquiridas na mostra From Babel to Basel, até março de 2014. Depois, o lugar acolherá outros nomes que andam despontando no circuito das artes. A ideia é inserir a Fine Art no hall das galerias que despertam o interesse dos turistas. De R$ 3 500,00 a R$ 1,2 milhão.

Vignoli Fine Art do Brasil. Rua Rio de Janeiro, 1930, Lourdes, ☎ 3327-2702. Segunda a sábado, 12h às 20h. Grátis. Até março de 2014 (com exceção dos dias 1° e 2 de janeiro).

✪✪✪ Narrativas Poéticas

Com montagem e iluminação caprichadas, a mostra ocupa os três pisos do Museu Inimá de Paula com 89 obras de grandes nomes, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Farnese de Andrade. No 2º andar, vale a pena demorar em frente à delicada aquarela de Kichizaemon Takahashi e ao óleo Terra e Lua, de Wega Nery. O destaque do 3º piso é a exuberância de três telas em vermelho de Tomie Ohtake. A oportunidade de ver de uma só vez tantos trabalhos significativos para a história da arte brasileira torna quase desnecessários alguns áudios e projeções colocados nos salões.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 26 de janeiro de 2014 (com exceção dos dias 31 e 1° de janeiro).

Oratórios - Relíquias do Barroco Brasileiro

A exposição conta com 115 peças pertencentes ao acervo do Museu do Oratório, instalado em Ouro Preto desde 1998. O destaque do conjunto é um "oratório de salão" — que, como o nome indica, era usado nas salas principais das residências — que decorou o quarto do papa João Paulo II em sua visita ao Brasil em 1997.

Museu de Artes e Ofícios. Praça Rui Barbosa (Praça da Estação), Centro, ☎ 3248-8600. → Terça e sexta, 12h às 19h; quarta e quinta, 12h às 21h; sábado, domingo e feriados, 11h às 17h. Grátis. Até 6 de janeiro de 2014 (com exceção dos dias 31 e 1° de janeiro).

✪✪✪ Simbio

Há quinze anos na função de levar ao público belo-horizontino a vanguarda da produção cultural do Brasil e do mundo, o Eletronika - Festival de Novas Tendências surge com a terceira edição do Simbio. Desta vez, a exposição idealizada por Jeff Santos reúne três coletivos que andam despontando no cenário mineiro: 425CRINA!, com a obra Artefato Atentada ou Presente pra Paz, Fósforo Coletivo, com Sinapse, e MIR Audiovisual Studio, com Territórios. Todos os trabalhos extrapolam a área de atuação dos artistas convidados.

Oi Futuro - Galeria de Artes Visuais. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-2979. → Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014 (recesso até 2 de janeiro).

✪✪✪ Tomie Ohtake

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, ela é considerada a dama das artes plásticas no país e segue em atividade aos 100 anos de idade. Em homenagem a seu centenário, completado em 21 de novembro, foram organizadas mostras em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Por aqui, cinquenta obras encontram-se montadas em ordem cronológica e ilustram diversas fases de sua carreira. Só o primeiro quadro é figurativo. O que se vê nas telas seguintes é o uso crescente e mais livre de manchas de cor e formas circulares, ovais e retangulares. No fim do corredor estão uma bela série de gravuras e, dependuradas no teto, cinco esculturas de ferro, quatro produzidas neste ano.

Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014 (com exceção do dia 1° de janeiro).

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE