Exposições

Daniel Bilac exibe obras carregadas de simbolismo, memória e afeto

O jovem artista expõe em Ouro Preto três séries de composições que unem pintura, desenho e colagens

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Meus Pés Viraram Arquitetura: desenho, pintura e colagem sobre papel

Com apenas 26 anos, Daniel Bilac já é representado por uma das galerias mais importantes da cidade, a Celma Albuquerque. Formado pela Escola de Belas Artes da UFMG, o artista vem sendo reconhecido pelas delicadas composições que misturam desenho, pintura e colagem. O curioso é que quase todos os trabalhos são pensados a partir da figura de um cão. Bilac explica que o animal simboliza sua relação de afeto e intensidade com o ato da pintura. Ao redor da ilustração, ele posiciona frases, desenhos e colagens em papel. Algumas obras contam até com pedaços de uma antiga caderneta de seu avô. A mostra Manual da Espera reúne, além da série homônima, as sequências Azimuths e Quando Eu Disser Seu Nome.

Galeria de Arte Nello Nuno. Rua Alvarenga, 794, Cabeças, Ouro Preto (a 96km de Belo Horizonte), ☎ 3551-2014. Segunda a sexta, 12h às 18h. Grátis. Até dia 31.

› ESTREIAS

Júlio Alves

Carioca de nascimento, o artista cresceu em Minas Gerais e se formou em design pela Uemg. Traços livres e figuras humanas imprecisas são as marcas de seu trabalho. Na mostra Desígnio, o artista apresenta uma série de quarenta desenhos em nanquim e dez cadernos que expõem seu processo criativo.Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães.

Praça da Liberdade, 21, Funcionários, ☎ 3269-1166 → Segunda a sexta, 8h às 20h; sábado, 8h às 12h. Até dia 31. A partir de sexta (6).

Lasar Segall

Nascido na Lituânia, Segall (1891-1957) fixou residência no Brasil nos anos 20 e teve papel central na cena modernista que emergia em São Paulo. Desenhista, gravador e escultor, o artista aproximou seu traço expressionista da linguagem de artistas brasileiros com os quais conviveu, como o casal Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. A partir de sexta (10), será possível conferir um bom recorte de seu trabalho na mostra A Gravura de Lasar Segall - Poesia da Linha e do Corte. Serão expostos trinta trabalhos realizados pelo artista entre 1913 e 1930.

Sesc Palladium - Galeria de Arte GTO. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3214-5350. → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até 23 de junho. A partir de sexta (10).

Lemos de Sá Galeria de Arte

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Lemos de Sá Galeria de Arte. Avenida Canadá, 147, Jardim Canadá, ☎ 3261-3993. Segunda a sexta, 10h às 18h; sábado, 11h às 14h. Até 10 de junho. A partir de segunda (6).

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪ Contra Escambos

Esta dica é para estudantes, profissionais ou interessados em pesquisas sobre urbanidade e fluxos culturais. A mostra é a materialização de uma pesquisa sobre os grandes fluxos econômicos e socioculturais e seus desdobramentos em países periféricos. Além de exibir obras de arte, materiais de arquivo e pesquisas visuais, o projeto conta com debates e saídas de campo das quais o público poderá participar gratuitamente. Informações sobre as atividades podem ser obtidas pelo telefone.

Palácio das Artes - Espaço Mari'Stella Tristão. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400 → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até domingo (12).

✪✪✪ Gustavo Maia

Na exposição Geometria Encontrada, o artista belo-horizontino faz releituras de objetos do cotidiano a partir do uso extremo da geometrização e da simplificação de suas formas originais. Na tela Palavras Cruzadas, por exemplo, ele substituiu as letras dos enunciados e das respostas por cores correspondentes. Segundo Maia, a ideia não é criar novas formas, mas apropriar-se da configuração visual dos objetos exaltando sua geometria.

Galeria de Arte do BDMG Cultural. Rua Bernardo Guimarães 1600, Lourdes, ☎ 3277-4384. Todos os dias, 10h às 18h. Grátis. Até domingo (12).

✪✪✪ Paola Rettore

Na mostra Avestruz - Só Tenho Rascunhos, a artista exibe em fotos, vídeos, poema e livro-objeto uma série de performances que realizou em Belo Horizonte nos últimos anos. Entre as sete personagens femininas que criou para as ações, chamam atenção a Mulher Ciborgue, a Mulher Cama-Mesa-Banho e Sofia. Além dos registros dessas ações, estão expostos os exuberantes figurinos e as anotações da artista. Vale a pena abrir as gavetas que contêm cadernos, recortes de revistas, amostras de tecido e outros objetos utilizados no processo criativo de Paola.

Memorial Minas Gerais - Vale. Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários (esquina com a Rua Gonçalves Dias), ☎ 3343-7317. → Exposição: terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 18h; quinta, 10h às 22h; domingo, 10h às 14h. Intervenções: neste domingo (5), 12h; sábado (11), 11h.Grátis. Até domingo (12).

› EM CARTAZ

✪✪✪ Antonio Dias

Mais conhecido por seus desenhos e assemblages com notável influência da pop art, o artista paraibano apresenta agora uma série um tanto hermética, mas importante em sua trajetória profissional. No fim dos anos 70, Dias foi ao Nepal estudar a produção artesanal de um papel à prova de mofo. Na década seguinte, a imersão na cultura daquele país inspirou uma série de trabalhos que permaneceu longe dos olhos do público até agora. As composições abstratas trazem formas geométricas e figuras que podem lembrar rostos, martelos e falos. As obras dificilmente vão agradar ao espectador convencional, mas são importantes para entender o processo criativo de um dos mais respeitados artistas contemporâneos do país.

Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, ☎ 32276494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até dia 25.

Assis Horta

Eram apenas retratos 3 X 4, mas o valor histórico e a sensibilidade do fotógrafo transformaram as imagens em arte. Na década de 40, Assis Horta registrou centenas de cidadãos diamantinenses para a primeira carteira de trabalho. O artista, hoje com 95 anos, conta que as pessoas gostavam tanto da experiência que voltavam para ser retratadas com os amigos e a família. Além do primor técnico com iluminação e composição, é interessante observar nas imagens as expressões curiosas de pessoas que certamente eram fotografadas pela primeira vez.

Centro Cultural e Turístico do Sistema Fiemg - Galeria Fiemg. Praça Tiradentes, 4, Centro, Ouro Preto (a 96 quilômetros de Belo Horizonte), ☎ (31) 3551-3637. Segunda a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 2 de junho.

✪✪ O Casarão - Da Fazenda ao Museu Histórico da Cidade

O andar térreo do casarão centenário da Avenida Prudente de Morais exibe nova exposição do acervo do Museu Histórico Abílio Barreto. Desta vez, a própria edificação é o tema. Fotos, objetos e documentos narram as transformações sofridas pela casa desde a época em que era sede da Fazenda Velha do Leitão, no século XIX, até sua inauguração como museu, em 1943.

Museu Histórico Abílio Barreto. Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, ☎ 3342-1268. Terça, sexta, sábado e domingo, 10h às 17h; quarta e quinta, 10h às 21h. Grátis. Até 30 de junho.

✪✪✪ Guilherme Cunha

O Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, belo edifício neoclássico espremido entre o Café Nice e um shopping popular, abriga a individual de Guilherme Cunha. Interessado nos processos cognitivos humanos, o artista apresenta cinco instalações inéditas que estimulam os sentidos e a sensibilidade do espectador. Logo na entrada, duas cabines de madeira interligadas permitem que os visitantes ouçam os batimentos cardíacos de quem está do outro lado. Em outro ambiente, na instalação Atmosfera Artificial, 24 tubos exalam um gás terapêutico com altas taxas de oxigênio. Boa dica para quem anda estressado e circula pelo centro da cidade.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737, Centro, ☎ 3263-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até dia 26.

✪✪✪ Do Moderno ao Contemporâneo na Coleção Mineira

Prorrogada a coletiva que celebra os cinco anos do Museu Inimá de Paula. Estão expostas esculturas de Amilcar de Castro, Bruno Giorgi e Alfredo Ceschiatti, além de telas de Di Cavalcanti, Volpi, Manabu Mabe, Siron Franco, Antonio Dias, Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman e Iberê Camargo. Também marcam presença artistas contemporâneos como o celebrado Vik Muniz, a jovem pintora Mariana Palma e os valorizados Beatriz Milhazes, José Bento e Tunga. Obras do mestre polonês Frans Krajcberg, no entanto, tiveram sua imponência prejudicada pela montagem. Duas de suas famosas esculturas de madeira pintadas de vermelho foram afixadas contra uma parede do mesmo tom. Um fundo contrastante certamente faria mais jus à exuberância das raízes retorcidas.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213 4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 20h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 2 de junho.

✪✪✪ Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas

Quando o conceito de arte contemporânea começou a tomar força, em meados dos anos 70, os artistas plásticos que integram esta mostra sediada no Palácio das Artes ainda eram crianças. Hoje, aos 30 e poucos anos, André Komatsu (SP), Laura Belém (MG), Jonathas de Andrade (AL), Paulo Nenflidio (SP) e Marcone Moreira (MA) são os atuais vencedores do Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas. O nome do concurso é uma homenagem a um importante galerista e incentivador das artes visuais no Brasil. Pernambucano, Marcantonio Vilaça fundou no Recife a galeria Pasárgada em 1990 e, dois anos depois, a galeria Camargo Vilaça, em São Paulo. Ainda em sua quarta edição, mas já prestigiado nacionalmente, o prêmio aposta em jovens talentos da arte contemporânea que possam integrar o acervo de museus públicos ou privados. Representante mineira do programa, a belo-horizontina Laura Belém participa com instalações inéditas que foram montadas poucos dias antes da abertura da mostra. Já o alagoano Jonathas de Andrade apresenta sua série de cartazes Educação para Adultos, exibida pela primeira vez na Bienal de São Paulo de 2010. Vinte e duas esculturas, fotografias, desenhos, instalações sonoras e visuais dos cinco vencedores ficarão expostas até junho.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de junho.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE