Exposições

Galeria Celma Albuquerque apresenta a instalação de Elizabeth Jobim

Labirinto contemporâneo esteve no Museu de Arte Moderna do Rio neste ano

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Pat Kildere
(Foto: Redação VejaBH)

Blocos: totens de madeira pintados a óleo

Sim, ela é filha do cantor e compositor Tom Jobim (1927-1994). Mas há tempos o sobrenome famoso deixou de ser o fator mais relevante na carreira de Elizabeth Jobim. Aos 56 anos, a artista plástica carioca já expôs em importantes museus dentro e fora do país e, em Belo Horizonte, é representada pela prestigiada galeria Celma Albuquerque. Ex-aluna de Anna Bella Geiger e Eduardo Sued, ela começou a pintar variações de naturezas-mortas com traços largos, incomuns ao gênero, e perspectivas simultâneas que denotavam certa influência cubista. Em seu novo trabalho, as cores chapadas e a brincadeira visual com o volume dos objetos saíram da tela e viraram uma instalação penetrável. Na mostra Blocos, que esteve no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em julho deste ano, a artista apresenta uma série de paralelepípedos de até 2 metros de altura. Pintados a óleo sobre madeira, os totens formam um grande labirinto que pode ser percorrido livremente pelo visitante. Tons vibrantes e terrosos se alternam com o branco e criam diferentes noções de volume.

Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque,885, Lourdes, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até 14 de dezembro. A partir de quinta (14).

Exposições: programação para os dias 09 a 15 de novembro

› ESTREIA

✪✪✪✪ Amilcar de Castro - Repetição e Síntese

+ Centro Cultural Banco do Brasil recebe obras de Amilcar de Castro

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até 27 de janeiro de 2014. A partir de quarta (13).

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪ Augusto Fonseca

No delicado conjunto de aquarelas, desenhos, fotografias e objetos intitulado O Falso Espelho, o jovem pintor faz uma releitura às avessas do mito de Narciso. Em uma sequência de autorretratos, ele se apresenta como um homem que, em vez de admirar, estranha a própria figura. O destaque vai para a parede de desenhos.

Galeria de Arte Copasa. Rua Mar de Espanha, 525, Santo Antônio, ☎ 3250-1506. Todos os dias, 8h às 19h. Grátis. Até segunda (11).

✪✪✪ As Origens do Fotojornalismo no Brasil: um Olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960)

O semanário, que circulou de 1928 a 1975, marcou a memória dos brasileiros e influenciou a maneira de fazer jornalismo impresso no país. Talvez a mais importante inovação do veículo tenha sido permitir que os ensaios fotográficos dividissem o protagonismo da página com o texto. Em mostra organizada pelo Instituto Moreira Salles, estão expostas cerca de 400 imagens, que retratam desde as incursões indígenas dos irmãos Villas Bôas até a vida privada de Carmen Miranda. Vale a pena subir ao mezanino para ver de perto três câmeras fotográficas usadas entre as décadas de 20 e 50 e a famosa reportagem de 1952 sobre a viagem de Guimarães Rosa pelo sertão mineiro.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737 (Praça Sete), Centro, ☎ 3236-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até domingo (17).

› EM CARTAZ

Binho Barreto

Os traços delicados do artista belo-horizontino estão em diversas vias públicas da cidade, mas não nas mais badaladas. Seu trabalho em grafite costuma ocupar paredes de fábricas abandonadas, vilas, escolas e muros em regiões periféricas da capital. Olhares melancólicos, atmosfera atemporal e uma visão crítica do modo de vida contemporâneo são marcas do trabalho de Barreto. Na mostra Nado Raso, ele exibe vinte desenhos recentes e fotos de grafites feitos nas ruas, além de imagens sobre seu processo de criação em estúdio.

Galeria de Arte do BDMG Cultural. Rua Bernardo Guimarães, 1600, Lourdes, ☎ 3277-4384. Todos os dias, 10h às 18h. Grátis. Até 1º de dezembro.

✪✪✪✪ Candido Portinari

Não se pode deixar de ver de perto a dupla de painéis Guerra e Paz, do célebre pintor de Brodowski (1903-1962). As visitas estão organizadas em sessões que apresentam um vídeo de dez minutos sobre a vida do artista antes de revelar os murais. Não se preocupe, pois a introdução não é entediante. Felizmente, as intervenções tecnológicas só potencializam a complexidade e a beleza dos traços da obra-prima de Portinari. No 7º andar ainda estão expostos mais de setenta estudos preparatórios e alguns documentos históricos da época de produção das telas monumentais (1952-1956).

Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro, ☎ 3201-5211. Terça a domingo. Sessões a cada hora, entre 10h e 19h. Grátis. Até dia 24.

✪✪✪ GTO - 100 Anos

Geraldo Teles de Oliveira (1913-1990) foi um homem humilde que descobriu tardiamente sua vocação artística. Depois de trabalhar em plantações e até como vigia noturno de um hospital, GTO (como gostava de ser chamado) disse ter tido uma série de visões que o incitavam a fazer esculturas. Autodidata, começou a produzir entalhes em madeira aos 55 anos. Em totens, mandalas e peças de formatos variados, ele retratou figuras religiosas, festas e costumes mineiros. Em homenagem ao centenário de seu nascimento, o mestre ganha mostra de trinta obras de madeira e uma peça rara esculpida em pedra-sabão.

Centro de Arte Popular - Cemig. Rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários, ☎ 3222-3231. → Terça, quarta e sexta, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; sábado e domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 29 de dezembro.

João Castilho

O fotógrafo mineiro já está em cartaz na cidade com a coletiva Paisagem Submersa, ao lado dos colegas Pedro Motta e Pedro David. Na quarta (6), ele inaugura a individual Caos Mundo, com fotografias, vídeos e instalações recentes. Produzidos entre 2012 e 2013, os trabalhos abordam questões aparentemente desconectadas, como a relação entre homem e natureza, sequestros e escravidão. O artista explica, no entanto, que todos os temas tratam de violência e de conflitos visíveis e invisíveis. Em uma imagem da série Vade Retro, por exemplo, uma tartaruguinha que parece se debater de barriga para cima desperta sentimentos de impotência e agonia. Sensações parecidas são incitadas pela série de vídeos Morte Súbita, que mostram o sofrimento de reféns em telejornais. "Não sei fazer arte sem conteúdo político", resume Castilho.

Funarte. Rua Januária, 68, Floresta, ☎ 3213-3084. Terça a sábado, 13h às 21h. Grátis. Até 6 de dezembro.

✪✪✪ Narrativas Poéticas

Com montagem e iluminação caprichadas, a mostra ocupa os três pisos do Museu Inimá de Paula com 89 obras de grandes nomes, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Farnese de Andrade. No 2º andar, vale a pena demorar em frente à delicada aquarela de Kichizaemon Takahashi e ao óleo Terra e Lua, de Wega Nery. O destaque do 3º piso é a exuberância de três telas em vermelho de Tomie Ohtake. A oportunidade de ver de uma só vez tantos trabalhos importantes e significativos para a história da arte brasileira torna quase desnecessários alguns áudios e projeções colocados nos salões.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 8 de dezembro.

Nelson Brasil Rodrigues - 100 anos do Anjo Pornográfico

Em 2012, ano do centenário de seu nascimento, o célebre dramaturgo ganhou mostra retrospectiva organizada por Crica Rodrigues e Nelson Rodrigues (filho). Ponto final das itinerâncias da Funarte, a sede de Belo Horizonte recebe a exposição de textos, reportagens, programas de peças teatrais, críticas e fotos históricas.

Funarte. Rua Januária, 68, Floresta, ☎ 3213-3084. Segunda a sexta, 10h às 18h. Grátis. Até 20 de dezembro.

Paisagem Submersa

Em 2005, sete municípios do nordeste mineiro foram parcialmente inundados para formar o lago da hidrelétrica de Irapé, no leito do Rio Jequitinhonha. Durante o processo de instalação da usina, João Castilho, Pedro David e Pedro Motta registraram as pessoas, paisagens e memórias das 42 comunidades afetadas. As fotografias formaram uma narrativa bela e melancólica sobre o impacto da obra naquela região. Os três artistas decidiram doar à instituição dezessete imagens. Quinze serão exibidas gratuitamente até o fim do mês.

Museu Mineiro - Sala de Exposições Temporárias. Avenida João Pinheiro, 342, Lourdes, ☎ 3269-1103. → Terça, quarta e sexta, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; sábado, domingo e feriados, 12h às 19h. Até dia 23.

✪✪ Ricardo Burgarelli

Na exposição América, Sacco e Vanzetti Não Podem Morrer, o artista apresenta intervenções feitas sobre reproduções de antigos jornais que noticiaram a condenação à morte dos anarquistas italianos Sacco e Vanzetti, nos Estados Unidos, em 1927. Na série Guerra dos Perdidos, ele se junta a Luísa Horta para produzir uma narrativa de guerra fictícia com base em textos, fotos antigas e outros objetos. Nos dois trabalhos é possível perceber a memória como fio condutor.

Memorial Minas Gerais - Vale (Sala de Exposições — 3º andar). Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários (esquina com a Rua Gonçalves Dias), ☎ 3343-7317. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 17h30; quinta, 10h às 21h30; domingo, 10h às 15h30. Grátis. Até 1º de dezembro.

✪✪✪ Tomie Ohtake

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, ela é considerada a dama das artes plásticas no país e segue em atividade aos 99 anos de idade. Em homenagem a seu centenário, que será completado no dia 21, foram organizadas mostras em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Por aqui, cinquenta obras encontram-se montadas em ordem cronológica e ilustram diversas fases de sua carreira. Só o primeiro quadro é figurativo. O que se vê nas telas seguintes é o uso crescente e mais livre de manchas de cor e formas circulares, ovais e retangulares. No fim do corredor estão uma bela série de gravuras e, dependuradas no teto, cinco esculturas de ferro, quatro produzidas neste ano. Com 412 metros quadrados e uso inteligente da luz natural, paredes, piso e teto brancos, a galeria projetada por Paulo Pederneiras e Fernando Maculan é uma atração à parte.

Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE