Exposições

Mostra 'Entre Ideias e Rascunhos', no Sesc Palladium, apresenta bastidores das HQs

Trabalhos de cinco artistas brasileiros, como Eduardo Pansica, estão na exposição dedicada aos quadrinhos

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Eduardo Pansica
(Foto: Redação VejaBH)

Trabalho de Eduardo Pansica: um dos cinco brasileiros que exibem o próprio processo criativo

Nem só de Turma da Mônica vive a cena dos quadrinhos no Brasil. Além de histórias coloridas recheadas de personagens fofos para os pequenos, o gênero tem fãs mais crescidinhos e atualmente até status para ocupar galerias de arte. A partir de sábado (12), o Sesc Palladium promete agradar aos entendidos e cativar os leigos com a exposição Entre Ideias e Rascunhos — O Processo Criativo de Cinco Quadrinistas. O título já adianta a proposta. Afora as obras prontas, serão exibidos instrumentos de trabalho, como cadernos de rascunho, imagens de referência e desenhos preparatórios de cinco artistas brasileiros. Com expografia que recria o ambiente de trabalho dos profissionais, a mostra pretende destacar que, além da criatividade, há um trabalho artístico com métodos de produção próprios. O evento integra a programação paralela do 8º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), de 13 a 17 de novembro.

Sesc Palladium - Galeria de Arte GTO. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3214-5350 → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até domingo (22).

Exposições: programação para os dias 05 a 11 de outubro

› ESTREIAS

Candido Portinari

A dupla de painéis Guerra e Paz, do célebre pintor de Brodowski (1903-1962), está em exibição no palco do novo Cine Brasil (leia mais na reportagem da pág 26).

Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro, ☎ 3201-5211. Terça a domingo. Sessões a cada hora, entre 10h e 19h. Grátis. Até 24 de novembro. A partir de quarta (9).

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪✪ Ainda: o Livro como Performance

Museu de Arte da Pampulha. Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima,

16585, Pampulha, ☎ 3277-7946.

Terça a domingo, 9h às 19h.

Grátis. Até domingo (13).

✪✪✪ Festival Internacional de Linguagem Eletrônica - File

Muitos museus enchem suas salas de traquitanas tecnológicas para atrair visitantes, mas raramente esses recursos enriquecem o contato com as obras. Felizmente, o caso deste festival é diferente. A mostra traz uma seleção dos aplicativos apresentados em São Paulo no mês passado. Entre os escolhidos estão o japonês Arart e o grego Starry Night. No primeiro, o espectador posiciona o tablet em frente a reproduções de obras como a Monalisa, de Leonardo da Vinci, e Moça com Brinco de Pérola, de Johannes Vermeer, para ver animações dos quadros. A atração mais interessante, no entanto, é o Starry Night, que potencializa as pinceladas de Van Gogh. Criado por Petros Vrellis, ele permite ao usuário dar movimento e alterar formas da tela homônima do mestre. Caso você tenha um, leve o seu iPad e peça ajuda aos monitores para usar o aplicativo Arart - criado para o sistema iOS - direto do aparelho.

Oi Futuro - Galeria de Artes Visuais. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-3131 → Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até domingo (13).

Ricardo Ferrari

Conhecido por encher suas telas de cores vivas e elementos do universo infantil, o pintor mineiro teve sua individual prorrogada em uma semana. Aos 62 anos, ele vive em um belo sítio no município de Rio Acima (a 38 quilômetros de Belo Horizonte), onde também funciona seu ateliê. Rodeado de mata, cachoeiras e amigos, Ferrari pinta com notável domínio de sua técnica, mas com a simplicidade de uma criança. As características mais marcantes de seus quadros são as cores vivas e as figuras de crianças com a cabeça arredondada, que ele chama de "batatinhas". Na mostra Quintais de Ferrari, no Museu Inimá de Paula, o artista exibe sessenta óleos recentes que seguem abordando o universo lúdico, mas, desta vez, com ênfase em temas circenses.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Terça, quarta e sexta, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; sábado, 10h às 19h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até domingo (13).

Yara Tupynambá

Mais conhecida por seu trabalho como muralista, a pintora mineira apresenta uma série de quinze colagens. Na mostra Um Universo Lírico predominam cores vibrantes e figuras da iconografia religiosa como as madonas. R$ 600,00 a R$ 4 000,00.

Maison Escola e Galeria de Arte. Rua Antônio Aleixo, 235, Lourdes, ☎ 3261-5885. Segunda a sexta, 9h às 18h; sábado, 9h às 12h. Grátis. Até dia 14.

› EM CARTAZ

✪✪ Anna Bella Geiger

Ela tem 80 anos e faz arte com mais ousadia que muitos colegas da nova geração. Desde a década de 50, a carioca usa linguagens diversas (desenho, pintura, gravura, colagem, fotografia e vídeo) para problematizar temas como ideologia, identidade cultural, fronteiras geográficas e simbólicas. Na exposição Síntese foram reunidas 32 obras, como o conhecido trabalho fotográfico Brasil Nativo — Brasil Alienígena, os mapas tridimensionais (Fronteiriços) e alguns objetos (Rolos/Scrolls) mais recentes. Não se deixe intimidar pela porta fechada da galeria, é só tocar a campainha.

Galeria Murilo Castro. Rua Antônio de Albuquerque, 377, sala 1, Savassi, ☎ 3287-0110. → Segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 14h. Até dia 19.

✪✪✪✪ Elles: Mulheres Artistas na Coleção do Centro Pompidou

A grande mostra de inauguração do Centro Cultural Banco do Brasil não decepciona. Pinturas, fotografias, esculturas e vídeos de 120 grandes mulheres do século XX foram reunidos no 2º e 3º andares do edifício. Uma das peças mais comentadas é o autorretrato The Frame, de Frida Kahlo (1907-1954). Não se desaponte com as dimensões modestas (28,5 por 20,7 centímetros), pois a obra carrega a responsabilidade de ser a única representante da mexicana no acervo do Centro Georges Pompidou. Na mesma sala está a também imperdível série de pinturas geométricas de Sonia Delaunay (1885-1979). Vale a pena percorrer com calma todos os salões, interagir com as instalações e assistir às obras audiovisuais, que também foram montadas em ambientes caprichados. Para além das discussões de gênero, essa é uma excelente oportunidade para ver de perto o trabalho de ícones da arte mundial e entender como essas mulheres transformaram os rumos da arte com sensibilidade, humor e pensamento crítico.

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até dia 21.

✪✪ Fernando Sabino

Às vésperas da celebração dos 90 anos do escritor mineiro (1923-2004), que faria aniversário em 12 de outubro, seu filho Bernardo organizou uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. No pátio interno do prédio foi montado um grande labirinto cujas paredes estão preenchidas por fotos e correspondências entre Sabino e amigos ilustres.

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até 4 de novembro.

Livia Gorresio

A influência da formação em arquitetura e urbanismo é evidente na obra da jovem artista visual paulistana. É possível perceber a preocupação e, muitas vezes, a exaltação da forma em suas telas, instalações e objetos. Presente mas menos evidente é a inspiração filosófica, já que seu trabalho atual foi influenciado pela teoria aristotélica segundo a qual a forma é uma ideia e, por isso, algo intangível, atemporal. Aplaudida pela crítica e pelo mercado em São Paulo, Livia traz a Belo Horizonte sete peças recentes. Na mostra Duração Permanente ela apresenta quadros, colagens e objetos de madeira e aço inox. As obras tridimensionais podem parecer herméticas para o espectador, mas o quadro Labirinto consegue unir conceito complexo e beleza gráfica.

AM Galeria de Arte. Rua Cláudio Manoel, 155, loja 4, Funcionários, ☎ 3223-4209. Segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 13h30. Grátis. Até dia 27.

✪✪✪ A Magia de Escher

A exposição já foi vista por mais de 1,2 milhão de pessoas no Brasil (considerada a mostra mais visitada do mundo em 2011 pela revista inglesa The Art Newspaper). Conhecido por inserir truques e enigmas visuais em suas gravuras, o holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) desenhou perspectivas ilógicas, paisagens espelhadas, edificações impossíveis e padrões geométricos surpreendentes. Na exposição foram reunidos mais de 85 desenhos, gravuras originais e fac-símiles desse pioneiro das artes gráficas. Também foram criadas instalações interativas que permitem ao visitante entender melhor as brincadeiras óticas imaginadas por Escher. Aproveite: é permitido fotografar dentro das galerias.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Galeria Arlinda Corrêa Lima e Galeria Genesco Murta. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7363. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até dia 17.

✪✪✪ As Origens do Fotojornalismo no Brasil: um Olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960)

O semanário, que circulou de 1928 a 1975, marcou a memória dos brasileiros e influenciou a maneira de fazer jornalismo impresso no país. Talvez a mais importante inovação do veículo tenha sido permitir que os ensaios fotográficos dividissem o protagonismo da página com o texto. Em mostra organizada pelo Instituto Moreira Salles, estão expostas cerca de 400 imagens, que retratam desde as incursões indígenas dos irmãos Villas Bôas até a vida privada de Carmen Miranda. Vale a pena subir ao mezanino para ver de perto três câmeras fotográficas usadas entre as décadas de 20 e 50 e a famosa reportagem de 1952 sobre a viagem de Guimarães Rosa pelo sertão mineiro.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737 (Praça Sete), Centro, ☎ 3236-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 17 de novembro.

Ricardo Burgarelli

Na exposição América, Sacco e Vanzetti Não Podem Morrer, o artista apresenta intervenções feitas sobre reproduções de antigos jornais que noticiaram a condenação à morte dos anarquistas italianos Sacco e Vanzetti, nos Estados Unidos, em 1927. Na série Guerra dos Perdidos, ele se junta a Luísa Horta para produzir uma narrativa de guerra fictícia com base em textos, fotos antigas e outros objetos. Nos dois trabalhos é possível perceber a memória como fio condutor.

Memorial Minas Gerais - Vale (Sala de Exposições - 3º andar). Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários (esquina com a Rua Gonçalves Dias), ☎ 3343-7317. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 17h30; quinta, 10h às 21h30; domingo, 10h às 15h30. Grátis. Até 1º de dezembro.

Wanda Pimentel

A veterana carioca apresenta 25 obras entre pinturas, desenhos e objetos. Entre as três séries exibidas, Celebração, Memória e Linhas, a mais interessante é a última, que traz telas com linhas retas que lembram escadarias.

Manoel Macedo Galeria de Arte.

Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates, ☎ 3411-1012. Segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 14h. Grátis. Até dia 26.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE