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Mostra Oratórios: relíquias do barroco brasileiro tem visitação estendida até março

Exposição itinerante foi inaugurada em novembro no Museu de Artes e Ofícios

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Kelvin Martins
(Foto: Redação VejaBH)

Oratório de madeira com a imagem de Nossa Senhora do Rosário: uma das 115 peças sacras em exposição

O Museu de Artes e Ofícios prorrogou até 30 de março a exposição Oratórios — Relíquias do Barroco Brasileiro, inaugurada em novembro, mês em que é comemorado o Dia do Barroco Mineiro (18). A data remete ao aniversário de morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que, em 2014, completa seu bicentenário. A mostra gratuita reúne oratórios, objetos e outras imagens sacras produzidas entre os séculos XVII e XX. São 115 peças pertencentes ao acervo do Museu do Oratório, instalado em Ouro Preto desde 1998. O destaque do conjunto é um "oratório de salão" — usado na sala principal das residências — que decorou o quarto do papa João Paulo II em sua visita ao Brasil em 1997. Museu de Artes e Ofícios. Praça Rui Barbosa (Praça da Estação), Centro, ☎ 3248-8600. → Terça e sexta, 12h às 19h; quarta e quinta, 12h às 21h; sábado, domingo e feriados, 11h às 17h. Grátis. Até 30 de março de 2014.

Exposições: programação para os dias 04 a 10 de janeiro

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪ Elizabeth Jobim

Sim, ela é filha do cantor e compositor Tom Jobim (1927-1994). Mas há tempos o sobrenome famoso deixou de ser o fator mais relevante na carreira de Elizabeth Jobim. Aos 56 anos, a artista plástica carioca já expôs em importantes museus dentro e fora do país e, em Belo Horizonte, é representada pela prestigiada galeria Celma Albuquerque. Em seu novo trabalho, as cores chapadas e a brincadeira visual com o volume dos objetos saíram da tela e viraram uma instalação penetrável. Na mostra Blocos, a artista apresenta uma série de paralelepípedos de até 2 metros de altura. Pintados a óleo sobre madeira, os totens formam um grande labirinto que pode ser percorrido livremente pelo visitante. Tons vibrantes e terrosos se alternam com o branco e criam diferentes noções de volume. Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Lourdes, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até dia 10 (com exceção do dia 5).

✪✪✪ Marcus Vinícius

O paulistano já foi tido como concretista, associado ao neoconcretismo e comparado a Rothko e Lygia Clark. A dúvida em relação ao estilo, no entanto, foi o fio que permitiu ao artista encontrar o novelo de sua obra. "Costumo dizer que não sou moderno nem contemporâneo. Sou bizantino, pré-Renascimento", brinca. Vindo de uma família de marceneiros, ele escolhe, corta e lixa a madeira utilizada em todos os seus quadros. E faz questão de que seus trabalhos sejam chamados assim, de quadros. "Não os considero nem telas nem pinturas; a estrutura é de um quadro." Produzir as molduras, aliás, é o ponto de partida de sua obra, concebida em MDF e pincelada com tinta acrílica e vidros incolores pintados com esmalte. Na mostra Expansivos, as catorze peças ganham somente cores de catálogo. A ideia é justamente criar uma complexidade com a aproximação das tintas, e não com a mistura. Geralmente percebidos apenas como "fundo" das imagens, o branco e o preto assumem com autonomia o ofício de cor, tornando ainda mais rica a composição. De R$ 4 800,00 a R$ 12 000,00. Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Lourdes, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até dia 10 (com exceção do dia 5).

O que Nos Cerca Somos Nós

Realizada pelo Coletivo Cerca, a mostra reúne trabalhos produzidos pelos artistas mineiros Estandelau, Marcel Diogo e Juliana Gontijo. O universo de cada um deles é retratado por meio de inquietações estéticas, geralmente representadas em instalações, pintura e fotografia. Centro Cultural da UFMG. Avenida Santos Dumont, 174, Centro, ☎ 3409-8290. Segunda a sexta, 14h às 17h. Grátis. Até segunda (6).

› EM CARTAZ

✪✪✪✪ Amilcar de Castro

Repetição e Síntese A mostra do CCBB traz um respeitável panorama da carreira do artista mineiro. Ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, Amilcar (1920-2002) é um ícone do movimento neoconcreto e tornou célebre a técnica de escultura em chapas de ferro que chamou de "corte e dobra". Ocupando todo o 3º andar e o pátio interno do prédio, a exposição, uma das maiores já realizadas no país, traz 500 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. As peças vieram das três principais fontes do acervo do artista: o Instituto Amilcar de Castro e as coleções de Marcio Teixeira e Allen Roscoe. Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até dia 27.

✪✪ BHÁsia

Duas das quatro intervenções inauguradas em outubro continuam em exposição até o mês que vem: a urna O Dragão Azul-celeste, Tigre Branco, Pássaro Vermelho e Tartaruga Negra Vivem em Minério de Ferro, na Praça da Liberdade (Zhang Huan), e a Ilha de Encantamento, na barragem Santa Lúcia (Jennifer Wen Ma). Praça da Liberdade, s/n°, Funcionários. Todos os dias, 8h às 22h. Grátis. Até 12 de janeiro de 2014; Barragem Santa Lúcia, s/n°, São Bento. Todos os dias, 10h às 18h (com passeio de pedalinho através e ao redor da ilha). Grátis. Até fevereiro de 2014.

Escavar o Futuro

Em 1970, enquanto a exposição Objeto e Participação inaugurava a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, artistas defendiam sua liberdade criativa na lendária manifestação Do Corpo à Terra, realizada no Parque Municipal, que acabou subvertendo radicalmente a linguagem das artes plásticas. Responsável pela curadoria dos dois eventos, o crítico Frederico Morais publicou um trabalho contendo a frase "Arqueologia do urbano — Escavar o futuro". E foi ela a inspiração para a mostra, cuja proposta é refletir sobre a noção de intervenção urbana. Entre as mais de vinte obras selecionadas, encontram-se fotografias de Wilson Baptista e Cláudia Andujar, além da série de imagens da década de 60 do francês Marcel Gautherot, de conjuntos de heliogravuras do argentino Leon Ferrari e de trabalhos dos festejados Pedro Motta, João Castilho, Cinthia Marcele e Paulo Nazareth. Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014.

Fernando Vignoli

As paredes e os labirintos clássicos que dão o tom expressionista e surrealista às obras do artista plástico estão mais próximos de seus entusiastas mineiros. Dez anos depois de se mudar para Nova York, onde abriu um ateliê, o belo-horizontino retornou à capital para inaugurar a Vignoli Fine Art. Suas telas podem ser apreciadas e adquiridas na mostra From Babel to Basel, até março de 2014. Depois, o lugar acolherá outros nomes que andam despontando no circuito das artes. A ideia é inserir a Fine Art no hall das galerias que despertam o interesse dos turistas. De R$ 3 500,00 a R$ 1,2 milhão. Vignoli Fine Art do Brasil. Rua Rio de Janeiro, 1930, Lourdes, ☎ 3327-2702. Segunda a sábado, 12h às 20h. Grátis. Até março de 2014.

✪✪✪ Narrativas Poéticas

Com montagem e iluminação caprichadas, a mostra ocupa os três pisos do Museu Inimá de Paula com 89 obras de grandes nomes, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Farnese de Andrade. No 2º andar, vale a pena demorar em frente à delicada aquarela de Kichizaemon Takahashi e ao óleo Terra e Lua, de Wega Nery. O destaque do 3º piso é a exuberância de três telas em vermelho de Tomie Ohtake. A oportunidade de ver de uma só vez tantos trabalhos significativos para a história da arte brasileira torna quase desnecessários alguns áudios e projeções colocados nos salões. Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até dia 26.

✪✪✪ Simbio

Há quinze anos na função de levar ao público belo-horizontino a vanguarda da produção cultural do Brasil e do mundo, o Eletronika — Festival de Novas Tendências surge com a terceira edição do Simbio. Desta vez, a exposição idealizada por Jeff Santos reúne três coletivos que andam despontando no cenário mineiro: 425CRINA!, com a obra Artefato Atentada ou Presente pra Paz; Fósforo Coletivo, com Sinapse; e MIR Audiovisual Studio, com Territórios. Todos os trabalhos extrapolam a área de atuação dos artistas convidados. Oi Futuro — Galeria de Artes Visuais. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-2979. → Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014.

✪✪✪ Tomie Ohtake

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, ela é considerada a dama das artes plásticas no país e segue em atividade aos 100 anos de idade. Em homenagem a seu centenário, completado em 21 de novembro, foram organizadas mostras em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Por aqui, cinquenta obras encontram-se montadas em ordem cronológica e ilustram diversas fases de sua carreira. Só o primeiro quadro é figurativo. O que se vê nas telas seguintes é o uso crescente e mais livre de manchas de cor e formas circulares, ovais e retangulares. No fim do corredor estão uma bela série de gravuras e, dependuradas no teto, cinco esculturas de ferro, quatro produzidas no ano passado. Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 2 de fevereiro de 2014.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE