Exposição

Obras dos maiores artistas mineiros serão reunidas em nova mostra do Palácio das Artes

Exposição Minas Território da Arte terá nomes como Amilcar de Castro, Guignard e GTO

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Desenho sem título de Manfredo de Souzanetto: nascido no Vale do Jequitinhonha

A mostra Minas Território da Arte vai exibir uma breve retrospectiva das artes visuais no estado. Fruto de um programa do governo para a descentralização da cultura, a exposição homenageia artistas representativos de nove das dez macrorregiões de Minas Gerais. Foram selecionadas 100 obras realizadas entre o começo do século XX e os dias atuais. Os 64 nomes incluem ícones como Manfredo de Souzanetto, Amilcar de Castro, GTO, Guignard, Carlos Bracher, Chanina e Farnese de Andrade e expoentes da nova geração como Pedro David e Cinthia Marcelle. É uma boa oportunidade para ver de perto e em um mesmo lugar o que há de melhor na arte mineira.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 4 de maio. A partir de quarta (12).

Exposições: programação para os dias 08 a 14 de março

› ESTREIA

Wilma Martins

A retrospectiva da importante artista belo­-horizontina homenageia seus 80 anos e os sessenta dedicados à carreira. Serão expostas cerca de 140 obras, pertencentes a coleções particulares e a acervos institucionais como o do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O conjunto conta com desenhos e gravuras de traço sofisticado e atmosfera surrealista.

Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 22 de junho. A partir de sábado (15).

› ÚLTIMA SEMANA

Eduardo Fonseca

Ele conta que virou tesoureiro do diretório acadêmico de sua faculdade sem planejar. Em 2010, novamente por acaso, partiu para um mestrado em Lisboa justamente quando uma grave recessão abalava o país. De volta ao Brasil, no ano passado, encontrou a capital mineira tomada pelos protestos de junho. Eduardo Fonseca percebeu então que não conseguiria mais separar sua arte do contexto político. Em uma das três vezes em que caminhou com os manifestantes até o Mineirão, o artista pon­te-novense fotografou personagens curiosos na Avenida Antônio Carlos. Essas imagens serviram de base para a impactante série de catorze telas a óleo que integram a mostra Não É Nada Disso que Você Está Pensando!.

AM Galeria de Arte. Rua Cláudio Manoel, 155, loja 4, Funcionários, ☎ 3223-4209. Segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 13h30. Grátis. Até sábado (15).

✪✪ Instalação in Progress - Galeria de Arte Piolho Nababo

O mestre de cerimônias deste leilão usa óculos escuros, uma peruca sintética e uma marreta vermelha estilo Chapolin Colorado. De pé ou sentados no chão, os compradores tentam arrematar as obras na base do grito e ao som de rock das antigas. Realizado desde 2011 pelo coletivo Piolho Nababo, o irreverente Leilão de Arte R$ 1,99 faz a plateia delirar e põe em circulação uma safra novíssima da arte contemporânea mineira. Funciona assim: os interessados podem levar trabalhos de qualquer gênero (pintura, desenho, gravura, fotografia) para ficar em exposição até este sábado (8) na mostra Instalação in Progress. Nesse dia, às 19h, as peças serão oferecidas no pregão, que começa obrigatoriamente com um lance de R$ 1,99.

Palácio das Artes - Espaço Mari'Stella Tristão. Exposição e inscrição de trabalhos: terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Leilão: neste sábado (8), 19h. Grátis. As obras não arrematadas ficam expostas até quarta (12).

✪✪✪ Lorenzato Amadeo - Celebração do Cotidiano

Filho de imigrantes italianos, Amadeo Lorenzato (1900-1995) nasceu na região do Barreiro e, antes de completar 10 anos, já trabalhava como pintor de paredes — ofício que exerceu até a maturidade. Em 1956, uma queda o impediu de seguir no ramo da construção civil e o incentivou a "pintar o que desse na telha", como ele costumava dizer. Suas telas, que retratavam singelas paisagens urbanas e personagens comuns, caíram no gosto de galeristas e de colegas ilustres, como Amilcar de Castro, nos anos 60. A mostra conta com pinturas, esculturas e objetos de seu ateliê que hoje pertencem ao acervo do colecionador Antônio Carlos Figueiredo.

Centro de Arte Popular Cemig. Rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários, ☎ 3222-3231. → Terça, quarta e sexta, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; sábado e domingo, 12h às 19h. Grátis. Até este domingo (9).

› EM CARTAZ

Acervo da Galeria Celma Albuquerque

A galeria segue atualizando a exposição permanente de seu acervo. Na nova configuração, estão previstas obras de importantes nomes da arte nacional, como Mabe Bethônico, Beth Jobim, Isaura Pena e Gabriela Machado.

Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Lourdes, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até dia 28.

André Burian

Na série Aglomerado, o artista volta seu olhar para a periferia da capital. Depois de visitas à Vila Coqueiral, ao Aglomerado da Serra, à Pedreira Prado Lopes e ao Morro das Pedras, Burian produziu doze retratos dos personagens e cenários do cotidiano dessas regiões. As fotografias foram manipuladas digitalmente e exibem exageros propositais na saturação das cores e na distorção dos contornos.

Quadrum Galeria. Avenida Prudente de Morais, 78, Cidade Jardim, ☎ 3296-4866. Segunda a sexta, 12h às 19h; sábado, 10h às 14h. Grátis. Até dia 22.

✪✪✪ Improvável

A arte torna tudo possível. Pelo menos é o que parece nesta mostra. A coletiva exibe obras de cinco artistas brasileiros: Cláudio Trindade (Florianópolis), Leo Ayres (Rio de Janeiro), Fábio Morais, Bruno Moreschi e Nino Cais (São Paulo). Convidados pela curadora Paula Borghi, eles criaram uma série baseada em cenas improváveis ou surreais, como oceanos que cabem em um copo d'água, cartas de baralho que flutuam e um homem que anda sobre o mar. A maioria dos trabalhos brinca com ilusões ópticas, desafios mentais e instalações construídas com objetos típicos do universo da mágica. O mérito da exposição, no entanto, não é apenas reunir imagens divertidas, mas também produzir atmosferas poéticas a partir de situações esdrúxulas.

Palácio das Artes - Galeria Genesco Murta. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 13 de abril.

✪✪✪ O Jardim de Adelícia - Adelícia Amorim e Outros Contemporâneos

Dona Adelícia é uma das mais respeitadas bordadeiras do estado. Ainda menina e inspirada pelos ricos jogos de cama da fazenda onde cresceu, ela aprendeu sozinha a bordar flores. Aos 78 anos, segue em intensa atividade e produziu nos últimos cinco anos a maioria das peças da mostra. Ao lado de suas singelas composições se encontram obras de cinco jovens e talentosos artistas que se destacam pelo trabalho manual: Ana Luísa Santos, Janaína Mello, Julia Panadés, Rachel Leão e Rodrigo Mogiz. Ao misturar produções da mestra e dos aprendizes, a exposição evidencia que gerações com histórias de vida e preferências estéticas tão diferentes estão unidas pela delicadeza. Fãs do bordado tradicional vão se encantar com o acabamento primoroso de Adelícia e os mais moderninhos se surpreenderão com a força das peças de Rodrigo Mogiz.

Sesc Palladium - Galeria de Arte GTO. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3214-5350. → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até dia 30.

✪✪✪ Mayana Redin

Cuidado: após visitar esta mostra, é possível que você fique obcecado por letreiros de edifícios. Na individual A Borda o Risco o Mundo: Experimento #2, a artista paulista investiga a presença das noções de infinito, evolução, fronteira e espaço sideral nas situações mais inofensivas do cotidiano. Em uma das instalações, por exemplo, Mayana apresenta letreiros de prédios de Belo Horizonte inspirados em termos e tipografias espaciais (como "Edifício Mercúrio", "Netuno", "Via Láctea"). Ela também exibe interferências em cartões-postais, o vídeo Órbita (que mostra um inseto orbitando uma lâmpada) e até um mapa dos países sem montanha.

Palácio das Artes - Galeria Arlinda Corrêa Lima. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 13 de abril.

Um Mesmo Olhar - Fotografia de Dimas Guedes

Dimas começou a fotografar na década de 60, quando era estudante de geologia na Universidade Federal de Ouro Preto e se dedicava a registrar as sutilezas do cotidiano da cidade. Organizada por seu filho, João Paulo Dumans Guedes, a retrospectiva reúne cinquenta imagens e está dividida em duas frentes: uma com fotos de Ouro Preto, Mariana e arredores e outra com cenas curiosas de cidades estrangeiras. As séries têm em comum a atmosfera leve e despretensiosa que advém de encontros inesperados entre pessoas nas calçadas, fumantes na janela e vendedores ambulantes.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737 (Praça Sete), Centro, ☎ 3263-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 6 de abril.

✪✪✪✪ Um Olhar sobre o Brasil - A Fotografia na Construção da Imagem da Nação

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. →Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até 28 de abril.

✪✪✪ Wilton Montenegro

"A estrela de minha exposição é a arte contemporânea. Volta para vocês o que vocês me deram." A declaração de Montenegro explica, com certa modéstia, que sua obra só é possível a partir do trabalho de outros artistas. Há trinta anos o fotógrafo registra ateliês, processos criativos, pinturas, performances e instalações dos mais importantes nomes da arte brasileira, como Cildo Meireles, Tunga e Franz Weissmann (1911-2005). Seu olhar sensível não apenas documenta um objeto ou situação artística, mas também altera a experiência do espectador e o significado da obra original. Na mostra Fotografia: Trans-criação, Difusão e Preservação da Memória da Arte Contemporânea serão exibidas cerca de 200 fotos em ampliações e projeções.

Oi Futuro - Galeria 1. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-3131. Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 13 de abril.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE