Exposições

Paraibano Antonio Dias apresenta obras produzidas depois de viagem ao Nepal

Série rara do respeitado artista plástico está em cartaz na Galeria Celma Albuquerque

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Tela sem título: figuras abstratas sobre papel artesanal

Avaliação ✪✪✪

A galeria Celma Albuquerque segue com nomes de peso em seu calendário de exposições. Desta vez, o homenageado é Antonio Dias. Mais conhecido por seus desenhos e assemblages com notável influência da pop art, o artista paraibano apresenta agora uma série um tanto hermética, mas importante em sua trajetória profissional. Natural de Campina Grande, Dias mudou-se para o Rio de Janeiro e foi discípulo de Oswaldo Goeldi (1895-1961), mestre da gravura modernista. No fim dos anos 70, o artista foi ao Nepal estudar a produção artesanal de um papel à prova de mofo. Na década seguinte, a imersão na cultura daquele país inspirou uma série de desenhos e quadros-objetos que permaneceu longe dos olhos do público até agora. As composições abstratas trazem formas geométricas e figuras que podem lembrar rostos, martelos e falos. Tendo o papel artesanal como suporte, as obras dificilmente vão agradar ao espectador convencional, mas são importantes para entender o denso processo criativo de um dos mais respeitados artistas contemporâneos do país.

Celma Albuquerque Galeria de Arte. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, ☎ 32276494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até 25 de maio.

Exposições: programação para os dias 27 de abril a 03 de maio

› ESTREIAS

Assis Horta

+ Fotos de Assis Horta feitas nos anos 50 e 50 retratam os trabalhadores mineiros

Centro Cultural e Turístico do Sistema Fiemg - Galeria Fiemg. Praça Tiradentes, 4, Centro, Ouro Preto (a 96 quilômetros de Belo Horizonte), ☎ (31) 3551-3637. Segunda a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 2 de junho. A partir de quarta (1º de maio).

José Lara

O jovem pintor mineiro apresenta sua primeira mostra a partir de terça (30). Intitulada O que Existe por Dentro (Ou por Trás), a série é composta por catorze telas a óleo que retratam paisagens mineiras de maneira abstrata. As obras parecem reduzir as cenas reais ora a aglomerados de estruturas geológicas, ora a visões interiores do corpo humano.

Galeria de Arte do Espaço Cultural da Cemig. Avenida Barbacena, 1 200, Santo Agostinho. Todos os dias, 8h às 19h. Grátis. Até 19 de maio. A partir de quarta (1º de maio).

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪✪ Keila Alaver

Em viagens por vários países, a artista observou a presença de traquitanas não funcionais em diversas culturas. Após visitas a vários estabelecimentos de comércio popular, Keila garimpou peças que serviram de referência visual para sua obra. Para a mostra Jardim da Pele de Pêssego, montou em isopor figuras híbridas, e muitas vezes grotescas, de animais. Partes de cisnes, águias, morcegos e caracóis foram combinadas e cobertas por uma camada de material aveludado. As esculturas surreais e irônicas de Keila formam um "jardim tropical" de frivolidades, que justificam o nome da mostra.

Sesc Palladium - Galeria de Arte GTO. Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3214-5350. → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até este domingo (28).

✪✪✪ Paola Rettore

Na mostra Avestruz - Só Tenho Rascunhos, a artista exibe em fotos, vídeos, poema e livro-objeto uma série de performances que realizou em Belo Horizonte nos últimos anos. Entre as sete personagens femininas que criou para as ações, chamam atenção a Mulher Ciborgue, a Mulher Cama-Mesa-Banho e Sofia. Além dos registros dessas ações, estão expostos os exuberantes figurinos e as anotações da artista. Vale a pena abrir as gavetas que contêm cadernos, recortes de revistas, amostras de tecido e outros objetos utilizados no processo criativo de Paola.

Memorial Minas Gerais - Vale. Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários (esquina com a Rua Gonçalves Dias), ☎ 3343-7317. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 18h; quinta, 10h às 22h; domingo, 10h às 14h. Grátis. Até terça (30).

› EM CARTAZ

✪✪ O Casarão - Da Fazenda ao Museu Histórico da Cidade

O andar térreo do casarão centenário da Avenida Prudente de Morais exibe nova exposição do acervo do Museu Histórico Abílio Barreto. Desta vez, a própria edificação é o tema. Fotos, objetos e documentos narram as transformações sofridas pela casa desde a época em que era sede da Fazenda Velha do Leitão, no século XIX, até sua inauguração como museu, em 1943.

Museu Histórico Abílio Barreto. Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, ☎ 3342-1268. Terça, sexta, sábado e domingo, 10h às 17h; quarta e quinta, 10h às 21h. Grátis. Até maio.

Contra Escambos

A mostra é a materialização de uma pesquisa sobre os grandes fluxos econômicos e socioculturais e seus desdobramentos em países periféricos. Além de exibir obras de arte, materiais de arquivo e pesquisas visuais, o projeto conta com debates e saídas de campo das quais o público poderá participar gratuitamente. Informações sobre as atividades podem ser obtidas pelo telefone.

Palácio das Artes - Espaço Mari'Stella Tristão. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400 → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 12 de maio.

Escrituras em Liberdade

A nova mostra que ocupa as galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta tem sangue latino. Escrituras em Liberdade apresenta trabalhos de trinta escritores espanhóis e latino-americanos, além de um italiano. Serão exibidos livros, revistas, catálogos, fotografias, poemas, serigrafias e objetos que exprimem as diversas experimentações poéticas que se deram no século passado. Entre as peças estão Camada de Víboras, obra de inspiração surrealista do espanhol Antonio Gómez, e Por la Noche, Acostada, Ella Volvía a Leer la Carta de Su Artillero desde el Frente, poema visual do italiano F.T. Marinetti, autor do Manifesto Futurista, de 1909.

Palácio das Artes - Galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de junho.

Fernando Vignoli

Radicado há dez anos nos Estados Unidos, o artista mineiro traz a Belo Horizonte uma série de vinte pinturas, grande parte delas inédita. São telas que retratam o cotidiano do homem contemporâneo em composições que se aproximam da estética surrealista.

Casa de Arte Glauco Moraes. Avenida Getúlio Vargas, 167, Funcionários, ☎ 3261-1225. Segunda a sexta, 9h às 18h; sábado, 9h às 12h. Grátis. Até 11 de maio.

✪✪✪ Guilherme Cunha

O Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, belo edifício neoclássico espremido entre o Café Nice e um shopping popular, abriga a individual de Guilherme Cunha. Interessado nos processos cognitivos humanos, o artista apresenta cinco instalações inéditas que estimulam os sentidos e a sensibilidade do espectador. Logo na entrada, duas cabines de madeira interligadas permitem que os visitantes ouçam os batimentos cardíacos de quem está do outro lado. Em outro ambiente, na instalação Atmosfera Artificial, 24 tubos exalam um gás terapêutico com altas taxas de oxigênio. Boa dica para quem anda estressado e circula pelo centro da cidade.

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737, Centro, ☎ 3263-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 26 de maio.

Gustavo Maia

Na exposição Geometria Encontrada, o artista belo-horizontino faz releituras de objetos do cotidiano a partir do uso extremo da geometrização e da simplificação de suas formas originais. Na tela Palavras Cruzadas, por exemplo, ele substituiu as letras dos enunciados e das respostas por cores correspondentes. Segundo Maia, a ideia não é criar novas formas, mas apropriar-se da configuração visual dos objetos exaltando sua geometria.

Galeria de Arte do BDMG Cultural. Rua Bernardo Guimarães 1600, Lourdes, ☎ 3277-4384. Todos os dias, 10h às 18h. Grátis. Até 12 de maio.

✪✪✪ Do Moderno ao Contemporâneo na Coleção Mineira

Para celebrar seus cinco anos de funcionamento, o Museu Inimá de Paula exibe gratuitamente uma boa seleção de grandes nomes das artes visuais brasileiras. Estão expostas esculturas de Amilcar de Castro, Bruno Giorgi e Alfredo Ceschiatti, além de telas de Di Cavalcanti, Volpi, Manabu Mabe, Siron Franco, Antonio Dias, Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman e Iberê Camargo. Também marcam presença artistas contemporâneos como o celebrado Vik Muniz, a jovem pintora Mariana Palma e os valorizados Beatriz Milhazes, José Bento e Tunga. Obras do mestre polonês Frans Krajcberg, no entanto, tiveram sua imponência prejudicada pela montagem. Duas de suas famosas esculturas em madeira pintadas de vermelho foram afixadas contra uma parede do mesmo tom. Um fundo contrastante certamente faria mais jus à exuberância das raízes retorcidas.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213 4320. → Terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 19h; quinta, 12h às 20h; domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 5 de maio.

✪✪✪ Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas

Quando o conceito de arte contemporânea começou a tomar força, em meados dos anos 70, os artistas plásticos que integram esta mostra sediada no Palácio das Artes ainda eram crianças. Hoje, aos 30 e poucos anos, André Komatsu (SP), Laura Belém (MG), Jonathas de Andrade (AL), Paulo Nenflidio (SP) e Marcone Moreira (MA) são os atuais vencedores do Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas. O nome do concurso é uma homenagem a um importante galerista e incentivador das artes visuais no Brasil. Pernambucano, Marcantonio Vilaça fundou no Recife a galeria Pasárgada em 1990 e, dois anos depois, a galeria Camargo Vilaça, em São Paulo. Ainda em sua quarta edição, mas já prestigiado nacionalmente, o prêmio aposta em jovens talentos da arte contemporânea que possam integrar o acervo de museus públicos ou privados. Representante mineira do programa, a belo-horizontina Laura Belém participa com instalações inéditas que foram montadas poucos dias antes da abertura da mostra. Já o alagoano Jonathas de Andrade apresenta sua série de cartazes Educação para Adultos, exibida pela primeira vez na Bienal de São Paulo de 2010. Vinte e duas esculturas, fotografias, desenhos, instalações sonoras e visuais dos cinco vencedores ficarão expostos até junho.

Palácio das Artes - Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até 2 de junho.

› A poética do vídeo

O Oi Futuro apresenta panorama da produção audiovisual brasileira da última década

A mostra coletiva que inaugurou a nova galeria do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro, desembarcou em Belo Horizonte na última terça (23). Videoarte 2013 traz uma seleção de obras recentes de artistas brasileiros como Lenora de Barros, Nazareno e Cid Campos. A ideia é mostrar que o vídeo, além de suporte, é parte do processo criativo desses autores. Também integram a lista outros grandes nomes como Cao Guimarães, Éder Santos, André Sheik, André Parente, Kátia Maciel e Adriana Barreto, que não fizeram parte da versão carioca do projeto.

✪✪ Videoarte 2013. Galeria de Artes Visuais do Oi Futuro. Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3229-3131 → Terça a sábado, 11h às 21h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até 23 de junho.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE