Exposições

Retratos imaginários

Sonhos, símbolos e memórias inspiram a mais recente mostra do artista mineiro Vasconcellos

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Em 1973, o artista plástico José Madureira Vasconcellos, nascido em Passos, no sul de Minas, deixou o Brasil. Pressionados pelo regime militar, o pintor e sua mulher, a pianista Valéria Zanini, passaram um ano no Chile e depois partiram para Copenhague, na Dinamarca. Mesmo radicado naquele país até hoje, Vasconcellos costuma trazer seus trabalhos para cá com freqüência. A partir de quarta (20), a Pequena Galeria do Teatro da Cidade recebe vinte obras inéditas dele na mostra Realismo Fantástico.

O título é apropriado. Sua pintura é considerada por críticos europeus como representante do realismo mágico, ou realismo fantástico. Para essa corrente artística, as fronteiras entre o mundo real e a imaginação são bastante elásticas e, muitas vezes, invisíveis. O estilo surgiu primeiro no campo da literatura e teve como maior expoente o colombiano Gabriel García Márquez, com o romance Cem Anos de Solidão. Na pintura, os precursores foram os austríacos Ernst Fuchs, Rudolf Hausner e Ernst Steiner. A influência dessa linguagem artística no trabalho do pintor mineiro é bastante clara. Na última década, o universo onírico o inspirou em diversas séries, como Mitológicas, Velazquianas, People from My Dreams e Árias Brasileiras. As telas que compõem a exposição atual trazem seres e cenários que parecem emergir de sonhos confusos, e figuras femininas cujas partes foram recortadas de outros corpos. Há ainda as que apresentam arquétipos e signos do inconsciente coletivo, como a imagem da família e a figura patriarcal. Predomina a utilização de pigmentos e resina vegetal sobre tela ou madeira. R$ 3 000,00 a R$ 20 000,00.

Vasconcellos. Pequena Galeria do Teatro da Cidade. Rua da Bahia, 1341, Centro, ☎ 3273-1050. Segunda a sexta, 14h às 19h; sábado e domingo, 16h às 21h. Até 8 de julho. A partir de quarta (20).

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE