Exposições

Série de instalações, performances e vídeos promete instigar o público

Projeto deverá agradar quem gosta da arte contemporânea e surpreender quem tem preguiça dela

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Daniel Mansur
(Foto: Redação VejaBH)

Obra Habitat, de Liliane Dardot: experiências sensoriais

R eferência nacional quando o assunto é perfomance artística, Marcos Hill e Marco Paulo Rolla estão juntos em nova empreitada. A partir de terça (28) eles apresentam o projeto E o que Temos para o Almoço?, na Funarte. A mostra reúne trabalhos concebidos durante os catorze anos de funcionamento do Centro de Experimentação e Informação de Arte (Ceia), dirigido por eles. Tem de tudo. Vídeos, instalações, desenhos, fotografias, esculturas e, claro, muitas performances. Entre os dezessete autores convidados encontram-se Marcel Diogo, Liliane Dardot, João Maciel, Wagner Rossi Campos e os celebrados João Castilho e Paulo Nazareth. Quem não está familiarizado com o universo da arte contemporânea não precisa ter medo nem torcer o nariz. "Quanto menos informação o visitante tiver sobre o assunto, mais aberto ele estará à experiência sensorial", garante Rolla.

Funarte. Rua Januária, 68, Floresta, ☎ 3213-7112. Exposição: terça a sexta, 13h às 21h. Clique aqui e confira a programação. Grátis. Até 26 de fevereiro. A partir de terça (28).

Exposições: programação para os dias 25 a 31 de janeiro

› ÚLTIMA SEMANA

✪✪✪✪ Amilcar de Castro - Repetição e Síntese

A mostra traz um respeitável panorama da carreira do artista mineiro. Ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, Amilcar (1920-2002) é um ícone do movimento neoconcreto e tornou célebre a técnica de escultura em chapas de ferro que chamou de "corte e dobra". Ocupando todo o 3º andar e o pátio interno do prédio, a exposição, uma das maiores já realizadas no país, traz 500 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas.

Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a segunda, 9h às 21h (fecha às terças). Grátis. Até segunda (27).

✪✪✪ Escavar o Futuro

Em 1970, enquanto a exposição Objeto e Participação inaugurava a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, artistas defendiam sua liberdade criativa na lendária manifestação Do Corpo à Terra, realizada no Parque Municipal, que acabou subvertendo radicalmente a linguagem das artes plásticas. Responsável pela curadoria dos dois eventos, o crítico Frederico Morais publicou um trabalho contendo a frase "Arqueologia do urbano - Escavar o futuro". E foi ela a inspiração para a mostra, cuja proposta é refletir sobre a noção de intervenção urbana. Entre as mais de vinte obras selecionadas encontram-se fotografias de Wilson Baptista e Cláudia Andujar, além da série de imagens da década de 60 do francês Marcel Gautherot, e de trabalhos de Pedro Motta, João Castilho e Paulo Nazareth.

Parque Municipal, Palácio das Artes (Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e Galeria Arlinda Corrêa Lima). Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, ☎ 3263-7400. → Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737 (Praça Sete), Centro, ☎ 3236-7400. Terça a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 16h às 21h. Grátis. Até domingo (2).

✪✪✪ Narrativas Poéticas

Com montagem e iluminação caprichadas, a mostra ocupa os três pisos do Museu Inimá de Paula com 89 obras de grandes nomes, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Farnese de Andrade. No 2º andar, vale a pena demorar em frente à delicada aquarela de Kichizaemon Takahashi e ao óleo Terra e Lua, de Wega Nery. O destaque do 3º piso é a exuberância de três telas em vermelho de Tomie Ohtake. A oportunidade de ver de uma só vez tantos trabalhos significativos para a história da arte brasileira torna quase desnecessários alguns áudios e projeções colocados nos salões.

Museu Inimá de Paula. Rua da Bahia, 1201, Centro, ☎ 3213-4320. → Neste sábado (25), 10h às 19h, e domingo (26), 12h às 19h. Grátis.

✪✪✪ Tomie Ohtake

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, ela é considerada a dama das artes plásticas no país e segue em atividade aos 100 anos de idade. Em homenagem a seu centenário, completado no último 21 de novembro, foram organizadas mostras em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Por aqui, cinquenta obras encon­tram-se montadas em ordem cronológica e ilustram diversas fases de sua carreira. Só o primeiro quadro é figurativo. O que se vê nas telas seguintes é o uso crescente e mais livre de manchas de cor e formas circulares, ovais e retangulares. No fim do corredor está uma bela série de gravuras e, dependuradas no teto, cinco esculturas de ferro, quatro produzidas no ano passado.

Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1027. → Terça a sábado, 10h às 20h; domingo, 11h às 19h. Grátis. Até domingo (2).

› EM CARTAZ

✪✪✪ Esquizofrenia Tropical

Pela imponência de seu espaço interior e por oferecer uma das mais belas vistas da lagoa, o Museu de Arte da Pampulha merece ser visitado. Até 9 de fevereiro, uma boa coletiva de fotografia se soma ao programa e pode surpreender quem tem preguiça de ver arte contemporânea. Trabalhos de dezesseis jovens autores formam um panorama da vida na América Latina a partir de imagens de cenas domésticas e de dramas sociais. No mezanino, vale a pena demorar em frente ao painel Chocolate on My Jeans. O chileno Nicolás Wormull expõe em 365 fotos sua saga diária como pai de uma garotinha, papel ainda pouco comum entre os homens latinos. Lamentavelmente, o belo auditório do museu não foi utilizado pela mostra.

Museu de Arte da Pampulha. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha, ☎ 3789-1600. Terça a domingo, 9h às 19h. Grátis. Até 9 de fevereiro.

Flávia Bertinato

+ Exposição de fotos de Flávia Bertinato mostra pessoas que parecem adormecidas

Celma Albuquerque Galeria de Arte - Mezanino. Rua Antônio de Albuquerque, 885, Lourdes, ☎ 3227-6494. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, 9h30 às 13h. Grátis. Até dia 22.

✪✪✪ Lorenzato Amadeo - Celebração do Cotidiano

Filho de imigrantes italianos, Amadeo Lorenzato (1900-1995) nasceu na região do Barreiro e antes de completar 10 anos já trabalhava como pintor de paredes - ofício que exerceu até a maturidade. Em 1956, uma queda o impediu de seguir no ramo da construção civil e o incentivou a "pintar o que desse na telha", como ele costumava dizer. Suas telas, que retratavam singelas paisagens urbanas e personagens comuns, caíram no gosto de galeristas e de colegas ilustres, como Amilcar de Castro, nos anos 60. A mostra conta com pinturas, esculturas e objetos de seu ateliê que hoje pertencem ao acervo do colecionador Antônio Carlos Figueiredo.

Centro de Arte Popular Cemig. Rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários, ☎ 3222-3231. → Terça, quarta e sexta, 10h às 19h; quinta, 12h às 21h; sábado e domingo, 12h às 19h. Grátis. Até 9 de março.

Ricardo Bergmann

O escultor mineiro apresenta uma série de doze peças em mármore inspiradas em cenas da natureza, como o voo dos pássaros e o movimento dos peixes. R$ 2 500,00 a R$ 10 000,00.

Galeria de Arte Copasa. Rua Mar de Espanha, 525, Santo Antônio, ☎ 3250-1506. Todos os dias, 8h às 19h. Grátis. Até dia 16.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE