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Personalidade gastronômica de BH: Nelsa Trombino

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Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A guerreira: aos 74 anos, ainda na ativa

Um dos grandes símbolos da nossa gastronomia é uma paulista de Cubatão. Nelsa Trombino, proprietária do Xapuri, não tem raízes fincadas no estado, mas suas mãos parecem abençoadas pelo espírito mineiro. Filha de italianos, desde criança ela acompanhava a mãe na beira do fogão. A grande fartura das porções de seu restaurante é herança dessa época. As receitas da cozinha mineira, no entanto, só chegaram mais tarde. Aos 22 anos, casou-se com Fábio Figueiredo e mudou-se para a fazenda dos sogros, em Lagoa da Prata, no interior de Minas. Costelas de porco, feijões com farinha, torresmos e couves passaram então a fazer parte de sua rotina. "Fiquei assustada quando vi, pela primeira vez, a cozinheira dos funcionários, mãe Maria Preta, preparar um frango", lembra. "Quando ela jogava a ave na panela, o fogo chegava quase até o teto, por causa da gordura quente." A receita era tão saborosa que ela logo quis aprender. Depois vieram o lombo assado na panela e outras dezenas de pratos e doces típicos da roça. Após um ano, o casal pôs o pé na estrada e morou em várias cidades até se fixar em Belo Horizonte, em 1980, com os três filhos, Fernanda, Fabiana e Flávio. Cozinhando apenas para amigos e familiares, sete anos depois, dona Nelsa decidiu abrir um estabelecimento. Comprou o imóvel e montou tudo à sua maneira, na região da Pampulha, que em pouco tempo se tornaria um endereço nacionalmente conhecido. Acordava às 3 da madrugada para fazer compras na Ceasa e cuidava da administração. Hoje, aos 74 anos, ela ainda se mantém na ativa. Valeu a pena. Em sete décadas fazendo das panelas a sua vida, essa guerreira marcou definitivamente seu nome na história.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE