Especial

3 perguntas para Cristovão Tezza

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Zeca Caldeira
(Foto: Redação VejaBH)

Nome expressivo da literatura brasileira contemporânea, o catarinense Cristovão Tezza é uma das principais atrações da 1ª edição da Literata Betim, que vai até o próximo sábado (23). Na quarta (20), ele divide a mesa com a filósofa Marcia Tiburi, com mediação do jornalista João Barile. Tezza é autor de cerca de vinte livros, entre ficção e não ficção. Tornou-se, em 2008, um dos escritores mais premiados do país por uma única obra, o romance O Filho Eterno, em que dá tratamento ficcional a um fato biográfico: o nascimento de seu filho, portador de síndrome de Down.

Em O Filho Eterno, você lidou com um fato biográfico doloroso. Como foi o processo de distanciamento entre o escritor e o pai para escrevê-lo?A ideia de escrever sobre esse fato da minha vida só surgiu vinte anos depois do nascimento do meu filho. Nem me passava pela cabeça que isso pudesse ser tema para um romance. O assunto era um "buraco negro" na minha cabeça. Quando a ideia começou a surgir, pensei que seria impossível fazer uma boa ficção sobre o tema, ou eu cairia numa esparrela sentimental. O livro deslanchou quando eu simplesmente transformei o pai num personagem e escrevi a narrativa em terceira pessoa. Naquele momento eu de fato me afastei da questão biográfica - era simplesmente um escritor olhando de longe. Claro que precisei escrever dez romances antes para conseguir esse domínio, que não é fácil.

No livro seguinte, Um Erro Emocional, depois da aclamação de O Filho Eterno, houve algum tipo de pressão interna ou uma acentuada autocrítica durante sua produção?Não, de fato não. Faz quarenta anos que a minha vida é escrever. É um livro depois do outro. O Filho Eterno foi um caso único. Não pretendo mais fazer ficção autobiográfica.

Qual é a sua rotina quando está escrevendo?

Sou bastante metódico. Ao trabalhar num livro, preciso reservar um tempo do dia só para escrever. Atualmente gosto de fazer isso pela manhã. De segunda a sexta, entre 8h e 11h. Preciso de sequência, de sentir o livro crescendo dia a dia. Interrupções demoradas, para mim, são perigosas. Eu sempre acho que posso perder o fio da meada.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE