Entrevista

"A poesia é uma janela por onde vejo a vida"

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Confira abaixo uma entrevista com a poetisa Elisa Lucinda.

Apesar de um currículo variado, você tem essa ligação especial com a poesia. De onde veio esse interesse?

Meu interesse pela poesia nasceu aos 11 anos, com uma professora de declamação, dona Maria Filina, lá em Vitória do Espírito Santo. Foi ela quem me mostrou o leque de traduções das emoções humanas que a poesia oferece. Quando virei poeta, aos 16, 17, descobri que a poesia é uma janela por onde vejo a vida. E a poesia e a música, para mim, são indissociáveis. Trato a canção como um poema musicado.

E essa admiração pelo Fernando Pessoa?

Quando era estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, fui convidada pra fazer uma das veladoras na peça dele chamada O Marinheiro. Desde então, o homem não sai da minha cabeceira e faz plantão na Casa Poema. Eu e Geovana Pires, também atriz da Cia da Outra, nosso grupo de teatro, damos oficinas no Brasil e em Portugal ensinando a falá-lo de um modo mais coloquial. Além de termos uma peça chamada A natureza do Olhar, onde vivo Álvaro de Campos e ela, Alberto Caieiro. Estou lançando pela editora Record Fernando Pessoa Um Cavalheiro de Nada, Uma Autobiografia Não Autorizada. O livro, que é o meu primeiro romance, sai agora nos seus 125 anos de vida. Estou achando muito interessante o formato: uma autobiografia de um português, escrita por uma brasileira, com a apresentação de um moçambicano. No fundo, o livro é uma homenagem a língua portuguesa.

E como é o Recital à Brasileira?

Tem poemas de nossos poetas e dos portugueses, mas nada é estático. Costumamos colocar poemas novos na peça, além de sortearmos com a plateia textos que vêm numa caixinha. É surpresa para todos nós.

O que acha desse título de artista contemporânea que mais populariza a poesia?

Eu não sei se sou a que mais populariza, mas eu acho justo que reconheçam essa minha intenção e prática em provocar o acesso à poesia. Meu anseio, mais que isso, meu objetivo político é recuperar na poesia o seu natural poder de comunicação. Quem escreve, fala.

Quais os planos daqui em diante?

Estou grávida do livro do Fernando, que também vai comemorar os meus 15 anos na editora, e já planejo sua versão para a TV e teatro. Tem também o lançamento do filme A Última Estação, dirigido por Márcio Curi, que conta a história do povo libanês no Brasil. Nele, eu vivo uma brasileira chamada Ciça que muda a vida do protagonista Tarick, vivido pelo ator libanês Monir Maasri. Vou fazer uma turnê com A Natureza do Olhar pelo país, de preferência acompanhando os lançamentos do livro novo. Penso num programa de TV, comemoro os onze anos da peça Parem de Falar Mal da Rotina, que entra em cartaz no Rio de Janeiro em Julho depois de fazer uma turnê por Curitiba, São Luiz e sete cidades do interior do Espírito Santo. A Casa Poema completa cinco anos em julho, com nova equipe e duas parcerias importantíssimas: o projeto Palavra de Polícia, Outras Armas, realizado com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), e o Versos de Liberdade, com a Fundação Ford. Ele trata das questões raciais entre alunos e professores da rede pública municipal do Rio de Janeiro. Estou feliz por vir à Minas Gerais, tenho encantamento por este lugar. Vai ser a segunda vez que apresentamos o Recital à Brasileira no Brasil, a primeira foi no Amapá. O espetáculo nasceu para a abertura do Ano do Brasil em Portugal, em 2012, e deixou saudades nos teatros de Porto, Coimbra, Évora e Lisboa. Esperamos que Minas goste. Nosso coração, nossa emoção e, principalmente, o desenvolvimento dessa linguagem da poesia como grande tradutora dos processos humanos estarão em cena. Se eu fosse mineira eu iria lá ver.

SERVIÇO Evento: Recital à Brasileira, com Elisa Lucinda e Geovana Pires

Data: 04/06

Horário: 20h

Local: Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro - Belo Horizonte/MG)

Gratuito - os ingressos devem ser retirados na bilheteria do Sesc Palladium uma hora antes do espetáculo. Sujeito à lotação do espaço.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE