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Após quatro anos de hiato, cantora Marina Machado lança novo disco

Quieto Um Pouco é influenciado pela experiência da artista de ser mãe pela primeira vez

Por: Rafael Rocha - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Quando lançou o disco Tempo Quente, em 2008, Marina Machado cantava que a juventude escorria nas veias e que a felicidade estava bem diante do nariz. Quatro anos se passaram e, de mera hipótese, essa felicidade agora é uma certeza. A audição de Quieto Um Pouco, seu novo e excelente álbum que será lançado no Teatro Bradesco na sexta (19), é a evidência dessa inspirada fase da cantora, mãe do pequeno Jorge, de um ano e nove meses. O trabalho, inclusive, já é um dos melhores lançamentos do ano. Com apenas oito canções, uma delas inédita, o CD transita por temas bucólicos. Fala de chuva, de brisa, do amanhecer e de manter os pés no chão. É pura serenidade. Por telefone, Marina Machado conversou com VEJA BH sobre maternidade, família e música, temas que a deixaram emocionada.

Há algo que permeia esse disco Quieto Um Pouco?

As músicas falam de assuntos diversos, mas como o disco é produzido por um baterista (Lenis Rino) e um baixista (Alexandre Mourão), tornou-se um álbum de groove, é ritmado, porém low, mais calmo, tranquilo. Não chega a ser temático, mas acho que tem essa áurea de tranquilidade e quietude nos arranjos. Mesmo uma música alegre como Que Pena, de Jorge Ben Jor, ficou com arranjos com pouca instrumentação. Para cantar, escolhi tons mais graves - antes eu sempre cantava no médio e agudo. Tem a ver com essa coisa de ninar o neném, de buscar esse som do peito.

Como será esse show?

É uma comemoração dos meus vinte anos de carreira, então vou colocar um pouquinho de cada um dos meus discos lançados desde 1999. Uma parte do show pega minha fase como integrante da Companhia Burlantins, onde eu trabalhei como atriz. É um show dirigido por atores (Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna, do Grupo Galpão), então a intenção é emocionar, fazer rir e chorar. Quero fazer versões mais teatrais de algumas músicas de antes, como uma do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. O Chico Amaral, parceiro constante, deve ir lá tocar com a gente.

Ser mãe, estar casada, morar em Nova Lima. Tudo isso te inspirou, é isso?

Eu sempre estive nessa onda de gostar da natureza. Cresci indo para a Serra do Cipó, meu pai mora lá há quase 30 anos. Vim para Nova Lima para buscar essa paz da infância. Gosto do silêncio e de ouvir passarinho, preciso desse momento de quietude, então consegui realizar esse desejo de morar no mato, onde estou há quatro anos.

Ter chegado aos 40 te gerou alguma neura?

Eu tive filho aos 40 anos e isso foi tão legal! É a maior felicidade da minha vida. Tenho 20 anos de carreira, agora não tenho mais ansiedade de fazer as coisas acontecerem, quero apenas que tudo corra bem. Usei essa desculpa de ter filho para resgatar coisas básicas do ser humano, como cozinhar arroz e feijão para meu filho. Na escolinha dele eu aprendi a a fazer boneca de crochê, comecei a cuidar de planta, observar o céu, lavar vasilha. Envelhecer é difícil, sobretudo para as mulheres, mas estou bem realizada no amor e com meu filho.

Você vai entrar novamente em turnê?

Com meu disco anterior eu fiquei quatro anos viajando. Eu quero voltar a fazer show sim, gosto muito do palco, pois é o lugar onde eu quero estar, tanto pelo Brasil quanto no mundo afora. O Jorge, meu filho, vai ter que aguentar isso, afinal ele é filho de cantora e vai viajar comigo. Estou voltando aos poucos ainda, as coisas estão começando a acontecer agora.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE