Teatro

5 perguntas para Gracindo Jr.

O ator e seus dois filhos, Pedro e Gabriel, transformam os ensinamentos do patriarca da família, Paulo Gracindo, no espetáculo Canastrões

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Luiza Dantas/ Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Do que trata a peça?

Primeiro eu quero explicar que canastrões não são maus atores, como costumamos dizer. Não nesse caso. A canastra é uma espécie de baú, e é por meio dela que contamos a história dos velhos atores, aqueles que percorrem estradas tocando música, dizendo poesias, fazendo malabares. E a canastra só aumenta, porque aumentam os textos, os figurinos, os cenários... então o ator se torna um canastrão não por ser ruim, mas por ter caminhado muito.

É uma homenagem ao seu pai, Paulo Gracindo?

O espetáculo não conta a história dele, apesar de ter sido criado em comemoração ao seu centenário. É uma homenagem a todo velho e grande ator. E ele foi um deles, investiu no ofício.

É a primeira vez que você divide o palco com seus filhos?

Sim, mas já trabalhamos juntos em outras ocasiões. Já dirigi o Gabriel, mas nunca tínhamos feito nada lado a lado. O Pedro nasceu mais músico do que ator. Nessa peça, inclusive, ele fez a trilha sonora e toca cinco instrumentos.

Como foi o processo de montagem?

Quando resolvemos atuar juntos, começamos a correr atrás de alguém para organizar as ideias, então chegamos ao espanhol Moncho Rodriguez. Ficamos um bom tempo trabalhando via skype e depois fomos encontrá-lo em Portugal, onde passamos quatro meses, até estrearmos. Montamos lá porque foi onde tudo começou para nós, atores brasileiros. Somos herança do teatro português, que chegou ao Brasil por volta de 1660. Para você ter uma ideia, o meu pai ainda encenava com sotaque em 1930.

Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu com o Paulo?

Sem dúvida nenhuma, a dignidade da profissão. Quando ele começou, ator e marginal eram a mesma coisa. Passávamos o chapéu em troca de uma gracinha. O trabalho não era reconhecido como qualidade artística. E ele foi escalonando uma carreira, degrau por degrau, mostrando às pessoas a importância do ofício. E morreu reconhecido como uma das figuras mais importantes do Brasil.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE