Teatro

Dez regras de ouro para não fazer feio em teatros, cinemas e casas de show

Má educação do público de BH, que conversa alto e atende celular durante apresentações, tem incomodado artistas e outros espectadores

Por: Sabrina Abreu - Atualizado em

Ilustração: Negreiros
(Foto: Redação VejaBH)

O show mal começa e o mal-educado se levanta para tirar fotos. Durante as primeiras músicas, está mais preocupado em mexer no smartphone para publicar as imagens nas redes sociais, mas, quando reconhece sua canção favorita, resolve ficar de pé novamente para registrar o momento especial em vídeo. E canta junto, a plenos pulmões, abafando a voz de quem está no palco. Quem nunca presenciou uma cena dessas? É de tirar do sério o mais pacato dos espectadores. VEJA BH ouviu cinco personalidades do cenário cultural da capital mineira para listar dez regras básicas que deveriam ser seguidas — mas infelizmente muitas vezes não são — pelas pessoas que vão ver filmes e espetáculos. O crítico musical Kiko Ferreira, a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, a doutora em cinema Ana Lúcia Andrade, a coreógrafa Suely Machado, da companhia de dança Primeiro Ato, e o maestro Fabio Mechetti, da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, são unânimes: o público anda se comportando como se estivesse em casa — chega no horário que bem entende, conversa alto e atende o celular no meio da apresentação. Confira as dicas que eles deram e não passe vergonha por aí.

1 — Seja pontual

Em apresentações ao vivo, atraso é falta de respeito com os artistas e com os outros espectadores. "No teatro, nosso objetivo é fazer as pessoas acreditarem na fantasia", diz a atriz Teuda Bara. "O retardatário quebra essa atmosfera." No cinema, apesar de os atores não estarem presentes, chegar depois do início também é deselegante. "Se estiver atrasado, entre sem dar um pio", orienta a professora Ana Lúcia Andrade. E contente-se com a primeira poltrona vazia que encontrar. "É muita cara de pau, com o filme rolando, querer um lugar no centro da fileira."

2 — Respeite o lugar marcado

Quem comprou o assento 32 tem o direito de sentar-se no assento 32. "Não existe jeitinho para isso", afirma o crítico Kiko Ferreira. "Quando uma pessoa ocupa o lugar da outra, acontece uma onda de troca-troca e reclamações que dura até o show começar." Sentar-se em outra poltrona só vale quando, depois de a apresentação ter início, ficar claro que ela não foi vendida ou o dono não apareceu.

3 - Evite conversas paralelas

"A tela da música é o silêncio", afirma o maestro Fábio Mechetti. "A execução da música clássica por 100 artistas requer atenção." Para uma orquestra fazer o seu melhor, a audiência também tem de colaborar. "As pessoas pensam que seus cochichos não são ouvidos", destaca a coreógrafa Suely Machado. "Mas várias pessoas cochichando em um ambiente fechado geram um barulho que desconcentra quem está no palco." Depois da apresentação, saia para jantar e converse quanto quiser.

4 — Desligue o celular

O telefone móvel lidera o ranking das queixas. "Se o sujeito não for um obstetra, não há razão para deixar o aparelho ligado", pondera Ana Lúcia. Para ela, pôr o telefone no modo silencioso é pouco. Suely concorda: "Um adulto deve ser capaz de, por pelo menos duas horas, dar mais valor à arte a que decidiu assistir do que à mensagem de seu amigo". O pior dos mundos é atender à chamada e sussurrar para avisar que não pode falar. Se não pode falar, não atenda. "Outro dia, uma senhora quase se enfiou debaixo da cadeira para explicar que estava no cinema", diz Ferreira. "Àquela altura, já tinha incomodado todos a seu redor."

5 — Não filme nem tire fotos

Tirar fotos, especialmente com flash, incomoda quem está no palco. Também é irritante ver os espectadores mexendo em seu smartphone para registrar tudo nas redes sociais antes mesmo de a apresentação acabar. "Qual é o sentido de, em vez de aproveitar o espetáculo, ficar se preocupando em registrar imagens de má qualidade?", questiona Suely.

6 — Controle a gula

Cinema e pipoca são um clássico. O assunto, porém, causa controvérsia. "Quanto maior o piquenique, menor a concentração", diz Ana Lúcia. Em um arrasa-quarteirão repleto de explosões e gritos na tela, pode até não incomodar tanto. Já se a fita é mais introspectiva, qualquer barulhinho fica insuportável. Lanches com odores fortes são proibidos sempre.

7 — Mantenha os pés quietos

O assento da frente não foi feito para descansar os pés. O palco, então, nem se fala. "Já soube de artista que interrompeu sua performance para pedir a uma pessoa que tirasse o pé de cima do tablado", conta Mechetti. Fez muito bem.

8 — Não faça dueto

"A pessoa paga para ouvir um determinado artista, e não o seu desafinado vizinho de assento", lembra Suely. Cantores de chuveiro devem se contentar em fazer shows no próprio banheiro.

9 — Namore com discrição

Quem nunca namorou no cinema? Poder, pode. "E no teatro também", diz Teuda. Mas há limite. Não vale fazer ruído nem balançar a cabeça, atrapalhando a visão de quem está atrás. Mãos dadas continuam sendo o estilo mais elegante para viver um romance no escurinho da plateia.

10 — Aplauda na hora certa

Os aplausos são esperados por todo artista. Há, porém, hora certa para a manifestação. "Quando assumi a Filarmônica, precisava sinalizar com a mão, entre um movimento e outro, que ainda não era o momento certo de bater palmas", recorda Mechetti. No teatro, sobretudo em musicais, ou em óperas, palmas em cena aberta são permitidas. Segundo Teuda, o que dita se a reação é bacana ou exagerada, atrapalhando o andamento, é o bom-senso — que, aliás, é sempre o melhor conselheiro do público bem-educado.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE