Teatro

Hell, de Hector Babenco, critica a juventude moldada pelo consumismo

Em cartaz no Teatro Sesiminas, peça conta com Bárbara Paz e Paulo Azevedo no elenco

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

João Caldas
(Foto: Redação VejaBH)

Bárbara Paz e Paulo Azevedo interpretam Hell e Andrea: uma trágica história de amor

Fascinado pelo comportamento da protagonista de Hell — Paris 75016, best-seller escrito pela francesa Lolita Pille em 2003, o cineasta Hector Babenco, conhecido por filmes como Pixote — A Lei do Mais Fraco (1981) e Carandiru (2003), decidiu encarar sua terceira direção teatral. Após estrear em Louco de Amor (1988), de Sam Shepard, e conferir universalidade a Mais Perto/Closer (2000), de Patrick Marber, o argentino radicado no Brasil abraçou um novo drama conduzido por personagens carentes de amor. Com a ajuda de Marco Antônio Braz, Babenco concentrou o texto em dois personagens: Hell, interpretada por sua atual mulher, a atriz Bárbara Paz, e Andrea, seu par romântico, vivido pelo mineiro Paulo Azevedo. O espetáculo retrata uma juventude parisiense que não enxerga sentido na própria vida e compensa a frustração em noites de muito álcool, drogas e sexo irresponsável. Numa atuação bem elogiada, Bárbara dá vida a uma bela, fútil e arrogante socialite que encontra a decadência por causa dos excessos. Sua angústia chega ao ápice com a perda de seu amado, que, apesar de tão rico e desiludido quanto ela própria, a aproxima do puro e verdadeiro afeto. Apesar de narrar as peripécias de uma burguesia europeia, a montagem expõe uma epidemia que atinge toda uma geração, em qualquer parte do mundo: a ausência dos pais, reparada pelo dinheiro e transformada em espelho da falta de valores e de humanidade.

Hell (75min). 14 anos. Teatro Sesiminas (660 lugares). Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, ☎ 3241-7181. → Sexta e sábado, 21h. R$ 50,00. Bilheteria: 13h/19h todos os dias. IR. Até sábado (15). Estreia prometida para sexta (14).

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE