Famoso pra cachorro

Bull terrier belo-horizontino vira celebridade no mundo fashion

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Ele tem 243.000 seguidores do Instagram, uma linha de produtos da famosa marca de calçados de luxo inglesa Jimmy Choo, já estampou páginas do jornal The New York Times, Washington Post e The Times e ganhará um livro sobre a sua vida. Não estamos falando de nenhuma estrela das passarelas, mas sim do bull terrier belo-horizontino também de nome Jimmy Choo, de 6 anos. Conversamos com o dono desse novo mascote do mundo fashion internacional, o publicitário Rafael Mantesso, ex-sócio do restaurante Belo Comidaria. 

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Como começa a sua história com o Jimmy?

Eu sempre quis um bull terrier branco. Em 2009, quando ainda estava casado, procurei alguém que criava a raça em Beagá e fui ao canil. Ele não era o maior, nem o mais forte, mas era branco como eu havia imaginado. Ficamos com ele. Como eu o escolhi, deixei a minha então mulher decidir o nome. Como ela é estilista e asiática, optou por Jimmy Choo (um dos maiores designers de sapatos do mundo). Na época achei uma idiotice, mas deixei pra lá. 

Em que momento você passou a incluir o Jimmy em seus desenhos e fotos postadas em sua conta do Instagram (@rafaelmantesso)? 

Eu já tinha forte atuação na internet, com imagens montadas com comida e brinquedo em um blog de gastronomia. Meus seguidores, porém, achavam que eu capturava essas fotos na internet. Para provar que era eu quem as produzia, passei a usar nas composições as coisas da minha rotina e o Jimmy. Quando me separei, em junho de 2013, fiquei com um apartamento vazio e ele. Não queria uma casa sóbria e, por isso, recuperei o meu hobby de pintar e desenhar. Como o Jimmy estava sempre ao meu lado, passei a colocá-lo do lado do que eu fotografava. E, assim, ele passou de coadjuvante para protagonista.

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O que você acha que o fez conquistar mais de 240.000 seguidores no Instagram?

Não são fotos de cachorros com peruca e chapéu. Há uma abordagem artística e com desenhos originais. Além disso, não é necessário texto para interpretar a imagem, o que torna a postagem agradável para uma criança na China e uma senhora nos Estados Unidos. Quando eu escrevo algo (em português e inglês) é apenas para tentar responder às perguntas mais frequentes que eu recebo e para interagir com os seguidores.  

Como foi o convite para a parceria com a marca Jimmy Choo? 

A história ganhou a internet e a Sandra Choi (designer que comanda a criação da grife) passou a ser bombardeada por mensagens vindas de todos os cantos, de diferentes fontes. Ela então resolveu entrar em contato comigo. Em um primeiro momento, achei que seria processado, mas só ganhei elogios e um convite para o Jimmy participar de um editorial da revista Vogue em Londres. Achei incrível, mas o prazo e a logística eram incompatíveis. Abortei a ideia, mas continuamos conversando. Daí, ela me sugeriu criar uma linha assinada de produtos (bolsas, carteiras, capa para celulares etc.). Eles me deram carta branca e eu não abri mão da minha característica artística: fundo branco e desenhos, principalmente. Também não aceito vestir roupinha nele, que prefere ficar pelado sempre. As imagens (veja vídeo abaixo) para a campanha foram feitas aqui e eu fui para o lançamento da coleção em Londres e Nova York (os preços das peças da marca variam entre 75 e 1050 dólares). 

E o projeto do livro? 

Eu recebi o contato de três agentes literários. Então, resolvi entrevista-los para escolher aquele com quem eu teria mais afinidade. E optei por um americano também dono de bull terrier. Ele foi atrás das editoras, mas todas já conheciam o Jimmy. Então aconteceu um processo de leilão. O livro, basicamente fotográfico, terá 100 imagens inéditas com a minha história e a dele. O lançamento está programado para outubro e será simultâneo em vários países. Eu irei com o Jimmy para os Estados Unidos, onde a publicação será pela editora Penguin (no Brasil será comercializada pela Intrínseca). 

Quem ganha mais dinheiro hoje: você ou o Jimmy?

Com certeza o Jimmy. Mas o mais incrível mesmo é saber o quanto o preconceito em relação à raça, tida como agressiva, está deixando de existir. Cada foto que recebo de alguém que tem um bull terrier me deixa feliz. Recebi até mesmo um e-mail do presidente do grupo que fundou a raça na Inglaterra, agradecendo por eu ter conseguido inverter a curva. Ele me disse que tem gente pedindo para mudar o nome de seu cachorro no pedigree para Jimmy. O Jimmy e eu conseguimos com que a raça tivesse uma repercussão positiva em todo o mundo e isso não tem preço. 

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE